276-ID EGO SUPEREGO – Instituto Brasileiro de Terapias Holísticas
PEDAGOGIA E HOLÍSTICA

276-ID EGO SUPEREGO

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ID EGO SUPEREGO – A personalidade, para Freud (1923), é composta por três componentes inter-relacionados: o ID, o EGO e o SUPEREGO. Enquanto o ID é impulsivo e busca satisfação imediata, o SUPEREGO age como um policial moral, impondo restrições e normas.

ID EGO SUPERGO
ID EGO SUPEREGO

Desejo e Nossa Existência (id ego superego)

Em sua essência, a psicanálise freudiana defende que o desejo, particularmente o desejo de origem sexual, é o principal motor da psique humana. Freud (1905) em “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade” apresenta o desejo como um elemento central da existência humana. Este não se restringe apenas a impulsos sexuais, mas abrange todas as formas de desejo humano, desde o desejo de poder até o desejo de conhecimento. A busca incessante de satisfação desses desejos é o que nos impulsiona, orienta e, por vezes, nos confunde.

Consciente, Pré-consciente e Inconsciente: A Tríade da Mente Humana

Freud (1915) em seus estudos apresentou a mente humana como um iceberg, cuja maior parte está submersa (o inconsciente) e apenas uma pequena porção é visível (o consciente). O consciente é o que percebemos e podemos acessar de imediato. O pré-consciente serve como uma membrana semi-permeável, permitindo que algumas informações passem entre o consciente e o inconsciente. Já o inconsciente, é um repositório vasto e misterioso de desejos, pulsões e memórias que não temos conhecimento direto, mas que influenciam profundamente nossos comportamentos e decisões.

ID, EGO e SUPEREGO: A Complexidade da Psique Freudiana

A personalidade, para Freud (1923), é composta por três componentes inter-relacionados: o ID, o EGO e o SUPEREGO. Enquanto o ID é impulsivo e busca satisfação imediata, o SUPEREGO age como um policial moral, impondo restrições e normas. Entre eles está o EGO, tentando equilibrar as exigências do ID com as restrições do SUPEREGO, considerando também a realidade externa. Esta interação dinâmica entre os três é o que gera conflitos internos, tensões e, por vezes, comportamentos paradoxais.

A Revelação da Neurose e da Histeria

Antes de desenvolver a teoria psicanalítica, Freud se dedicou a estudar a neurose e a histeria. Ele postulava que muitos dos sintomas observados nesses estados eram resultantes de conflitos sexuais reprimidos. Seu trabalho pioneiro com pacientes histéricos levou à criação do método psicanalítico. Este método, através da associação livre e da interpretação dos sonhos, busca trazer à consciência os traumas e conflitos ocultos do inconsciente.

A Influência do Mundo Exterior e a Uniformidade Cultural

A influência do mundo exterior na formação da identidade individual é indiscutível. Desde a socialização inicial na família até as imposições da mídia, somos constantemente moldados por forças externas. A cultura busca, muitas vezes, homogeneizar os indivíduos em padrões predefinidos, frequentemente em conflito com desejos e traumas individuais. Aqui, a psicanálise” data-wpil-keyword-link=”linked”>psicanálise serve como ferramenta crítica, questionando até que ponto a cultura pode realmente nos tornar “semelhantes” e buscando valorizar a singularidade individual.

A psicanálise, com suas diversas teorias e métodos, oferece uma compreensão profunda da mente humana. O entendimento e aceitação de nossos desejos e traumas reprimidos é fundamental para o crescimento pessoal. Com a orientação de Freud e seus sucessores, temos ferramentas para desvendar a complexa tapeçaria da alma humana.

A Formação da Mente (id ego superego)

O Papel da Sexualidade na Formação da Mente

A centralidade da sexualidade na formação da mente foi uma das contribuições mais controversas e revolucionárias de Sigmund Freud à psicologia. Para Freud (1905), em “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”, a sexualidade não é apenas um aspecto marginal de nossa existência; é uma pedra angular. Este pensamento é reforçado pela afirmação de Claparède, ao posicionar o instinto sexual como a motivação por trás de toda atividade psíquica. A sexualidade, portanto, não é meramente física, mas permeia todos os níveis da psique humana, influenciando a forma como pensamos, sentimos e agimos.

A Mente Tripartite: Consciente, Pré-consciente e Inconsciente

Freud (1915) em “O Inconsciente”, ao detalhar a estrutura da mente humana, introduziu uma organização em três camadas: o Consciente, o Pré-consciente e o Inconsciente. O Consciente compreende nossos pensamentos atuais e percepções diretas, enquanto o Inconsciente abriga memórias reprimidas, desejos e traumas. O Pré-consciente, operando entre esses dois níveis, atua como um filtro, permitindo que algumas memórias e desejos transitem para a consciência. Esta estrutura revela como a repressão (um mecanismo de defesa) opera, mantendo memórias traumáticas fora da consciência imediata.

ID, EGO e SUPEREGO: As Instâncias da Personalidade

Delimitando a estrutura da personalidade, Freud (1923) em “O Ego e o Id” propôs três entidades psicológicas distintas: o ID, o EGO e o SUPEREGO. O ID, dominado pelo princípio do prazer, busca satisfação imediata de seus desejos. Em contraste, o SUPEREGO serve como nossa bússola moral, internalizando os valores e normas sociais. O EGO, atuando como mediador, tenta satisfazer o ID de forma realista e aceitável, levando em consideração as regras do SUPEREGO e as exigências do mundo externo.

Pulsão vs. Instinto: A Energia que Movimenta a Psique

Freud diferenciou dois conceitos fundamentais: instinto e pulsão. Enquanto o instinto é inato, biológico e orientado para objetivos específicos, a pulsão é uma força psíquica que busca alívio. Esta distinção, como Freud (1915) detalhou, é crucial para entender a dinâmica entre os desejos internos e a realidade externa. As pulsões, constantemente em busca de satisfação, podem entrar em conflito com as demandas externas, levando a tensões e possivelmente a distúrbios psicológicos.

Pulsões de Vida e Morte: O Eterno Duelo no Coração da Mente

Explorando ainda mais as pulsões, Freud (1920) em “Além do Princípio do Prazer” introduziu as ideias de Pulsões de Vida (Eros) e Pulsões de Morte (Thanatos). Eros representa nosso desejo de viver, conectar e criar, enquanto Thanatos simboliza uma inclinação para a destruição e a eventual aceitação da morte. Estas forças opostas, perpetuamente em conflito, refletem a ambivalência fundamental da natureza humana.

A contribuição de Freud para a compreensão da mente humana é monumental. Ao enfatizar a centralidade da sexualidade e ao detalhar a intricada estrutura da psique, ele nos forneceu ferramentas para compreender a profundidade e a complexidade do comportamento humano. Através de sua obra, somos convidados a reconhecer e confrontar os desejos e conflitos que residem nas profundezas de nossa mente.

Impacto Psíquico (id ego superego)

A Evolução do Conceito de Pulsões em Freud

O legado da teoria freudiana sobre as pulsões ilustra uma tentativa perspicaz de entender a motivação humana. Em “Pulsões e seus destinos” (1915), Freud argumentou que as pulsões sexuais e de autopreservação são forças motrizes primordiais que moldam nossas ações. No entanto, sua perspectiva sobre a matéria não permaneceu estática. Em “Além do princípio do prazer” (1920), Freud reformulou sua visão, introduzindo as pulsões de vida e morte, reconhecendo o equilíbrio delicado entre os impulsionadores do desejo e os limites da mortalidade.

O Inconsciente: O Território Desconhecido

O conceito de inconsciente é talvez uma das maiores contribuições de Freud à psicologia moderna. No inconsciente, residem desejos não realizados, memórias esquecidas e traumas reprimidos. Como Freud (1900) sugere em “A interpretação dos sonhos”, é neste espaço oculto que muitas de nossas ações e reações diárias são concebidas. O inconsciente opera segundo o princípio do prazer, tentando obter satisfação independentemente das demandas da realidade ou da moralidade.

Conflitos Psíquicos e a Jornada da Consciência

Os conflitos psíquicos desempenham um papel central no desenvolvimento de desordens e neuroses, de acordo com a teoria freudiana. Em “Estudos sobre a histeria” (1895), Freud argumenta que as neuroses são frequentemente o produto de conflitos internos não resolvidos que surgem do embate entre desejos reprimidos e proibições sociais. Em vez de serem causadas exclusivamente por traumas externos, as neuroses podem ser o resultado de uma luta interna entre o que é desejado e o que é permitido.

O Debate do Pansexualismo e a Relevância Contínua de Freud

A teoria freudiana foi, e ainda é, objeto de controvérsias. Muitos críticos consideram sua ênfase na sexualidade como exagerada, apontando para o que eles veem como “pseudo-pansexualismo freudiano”. No entanto, essas críticas frequentemente negligenciam a profundidade e a nuance da perspectiva de Freud. Como ele mesmo argumentou em “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” (1905), a sexualidade não deve ser entendida apenas em termos genitais, mas como uma força que permeia toda a experiência humana, desde o nascimento até a morte.

O Legado de Freud e a Modernidade

Freud, através de suas teorias inovadoras, lançou as bases para a compreensão moderna da mente humana. Ainda que algumas de suas ideias tenham sido adaptadas ou até mesmo refutadas, sua influência no campo da psicologia e da psicanálise é inegável. Suas investigações sobre o papel da sexualidade na formação da identidade, a estrutura do inconsciente e os conflitos psíquicos fundamentais ajudaram a moldar a maneira como entendemos a nós mesmos e aos outros. Em uma era que continua a debater e descobrir a natureza da mente, a obra de Freud serve como um farol, iluminando os mistérios mais profundos da psique humana.

Inconsciente Humano (id ego superego)

O Inconsciente como o Novo Desconhecido

A incursão pelo inconsciente pode ser comparada à travessia do rio Rubicão por Júlio César, um ponto de não retorno. Para Freud, o inconsciente era essa fronteira, um território inexplorado e repleto de mistérios aguardando decifração. Como Virgílio aponta em sua “Eneida” (29-19 a.C.), quando os seres humanos são incapazes de entender o cosmos, eles devem olhar para dentro. Da mesma forma, a psicanálise busca decifrar esse espaço interno, buscando os significados mais profundos que se escondem sob a superfície da consciência.

A Arte da Interpretação em Psicanálise

A interpretação é uma pedra angular da psicanálise. O trabalho do analista é, em muitos aspectos, semelhante ao de um detetive, decodificando os símbolos, sonhos e deslizes verbais apresentados pelo analisando. Essa prática, conforme delineado por Freud em “A Interpretação dos Sonhos” (1900), vai além de simplesmente entender o que é comunicado. Envolve encontrar a verdade escondida nas camadas mais profundas do discurso e da experiência humana, muitas vezes obscuras até mesmo para o próprio indivíduo.

A Simbiose entre Teoria e Prática

A psicanálise não é uma ciência estática. Ela é moldada e refinada através da prática clínica. Cada nova interpretação, cada insight conquistado na sala de análise, pode lançar luz sobre as teorias existentes ou até mesmo dar origem a novas. Freud, em “Estudos sobre a histeria” (1895), junto com Breuer, explorou a importância do trabalho clínico e das observações em sua formulação teórica. É essa combinação de teoria e prática que continua a enriquecer e desafiar a psicanálise.

A Ética e o Desejo na Jornada Psicanalítica

Qualquer travessia, seja ela geográfica ou psicológica, requer ética e desejo. No campo da psicanálise, a ética guia o tratamento, protegendo o analisando e garantindo a integridade do processo. O desejo, por outro lado, é o combustível que impulsiona tanto o analista quanto o analisando. Como Lacan argumenta em “O Seminário, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise” (1964), o desejo é a pedra angular da análise, movendo ambos em direção à descoberta e à compreensão.

Ao refletir sobre a contribuição monumental de Freud para a psicologia, é evidente que seu legado ultrapassa meramente o acadêmico ou teórico. Ele nos forneceu uma lente, uma maneira de ver e compreender o que é inerentemente humano. As raízes da sexualidade, entrelaçadas nas teias do inconsciente, são fundamentais para essa compreensão. Ao continuarmos desafiando e explorando as fronteiras da psicanálise, nos aproximamos não apenas da verdade sobre nossa mente, mas também da essência mesma de nossa humanidade.

CONCLUSÃO (id ego superego)

A contribuição de Freud para a compreensão da mente humana é monumental. Ao enfatizar a centralidade da sexualidade e ao detalhar a intricada estrutura da psique, ele nos forneceu ferramentas para compreender a profundidade e a complexidade do comportamento humano.

João Barros

Floripa, 19.08.23

REFERÊNCIAS BÁSICAS

  1. “O Inconsciente Estético” – Octavio Paz
    • Resenha: Paz, conhecido por sua habilidade em entrelaçar poesia e pensamento profundo, explora nesta obra a relação entre arte e psicanálise. Ele discute a noção de que a criação artística e a interpretação onírica têm muito em comum, ambos buscando expressar o inconsciente humano. Paz, portanto, argumenta que o ato de criação é uma manifestação das profundezas do nosso ser.
  2. “Cinema e Psicanálise: A Censura Interior” – Nise da Silveira
    • Resenha: Nise da Silveira, psiquiatra e estudiosa do papel da arte como terapia, analisa a influência do cinema no inconsciente coletivo. A autora aprofunda-se no poder das imagens cinematográficas para evocar e alterar emoções, e como elas podem servir de espelho para nossos desejos e medos mais profundos.
  3. “História da Sexualidade” (3 volumes) – Michel Foucault
    • Resenha: Foucault, em sua trilogia, explora a evolução do conceito de sexualidade, desafiando muitas das premissas fundamentais de Freud. Ele argumenta que a sexualidade é uma construção social e é moldada pelas relações de poder na sociedade. Essa série é essencial para quem busca uma perspectiva crítica e diferente da abordagem freudiana sobre a sexualidade.
  4. “Lacan: O absoluto no psicanalítico” – Durval Marcondes
    • Resenha: Marcondes oferece uma visão introdutória, porém aprofundada, da obra de Jacques Lacan, um dos teóricos pós-freudianos mais influentes. O livro detalha os conceitos-chave de Lacan, incluindo o simbólico, o imaginário e o real, e como eles se relacionam com a teoria freudiana. Este é um texto imprescindível para quem deseja entender o avanço da psicanálise após Freud.
  5. “Jurandir Freire Costa: Uma trajetória psicanalítica” – Sérgio Telles
    • Resenha: O livro explora a carreira e os pensamentos de Jurandir Freire Costa, psiquiatra e psicanalista brasileiro, conhecido por suas críticas à patologização da homossexualidade e seu trabalho na interseção de psicanálise, direitos humanos e questões LGBTQIA+. O livro delinea sua abordagem única, que muitas vezes desafiou o status quo da psicanálise tradicional.

João Barros - empresário/escritor - professor com formação em filosofia/pedagogia, teologia/psicanálise (...) atualmente, diretor pedagógico na empresa SELO BE IBRATH - com foco na supervisão e qualificação dos produtos pedagógicos e cursos livres em saúde, qualidade de vida e bem-estar. Quanto às crenças e valores, vale a máxima: o caráter do profissional em saúde - isto é - dos psicanalistas/terapeutas - determina sua missão. "Mens sana in corpore sano".

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