251-PSICANÁLISE EM DIÁLOGO – Instituto Brasileiro de Terapias Holísticas
AGRESSIVIDADE HUMANA

251-PSICANÁLISE EM DIÁLOGO

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Psicanálise em diálogo – Nestes últimos tempos, terríveis e difíceis, frente à pós-pandemia, contaminados,  não contaminados, recuperandos e recuperados, somos todos,   companheiros de mesma jornada, convidados   a refletir e a  repensar a trajetória,  o lugar do ser humano no universo, aqui e agora considerando a grande contribuição da psicanálise em diálogo com a realidade que nos desafia.

A PSICANÁLISE EM DIÁLOGO
A PSICANÁLISE EM DIÁLOGO

A  qualidade das  relações – consigo mesmo ,  com os outros,  com a natureza e com o  mundo global é posta à prova. Quem é o ser humano e para onde vai?

A psicanálise” data-wpil-keyword-link=”linked”>psicanálise em diálogo – Por ser otimista frente à realidade – bem/mal – que permite o ser humano existir, trago comigo a máxima de Ortega Y Gasset, desde os tempos da vida universitária,  quando procuro compreender, aprofundar  o sentido da vida que  habita cada ser humano  – “o homem é o homem e a sua circunstância”.

Acredito!  O ser humano traz em seu DNA a memória/herança   de  seus ancestrais.  Somos o resultado dos muitos que nos antecederam. Portanto, evoluímos,  mais distantes do instinto e  mais próximos à essência da vida, dialeticamente, artífices da cultura. Valerá, cada vez mais o mantra – o que é de todos, deve ser partilhado – é a sua dignidade que descortina o melhor horizonte.

Paradoxalmente, o exercício de falar sobre a vida exige em contrapartida a generosidade de sentir e construir  a vida, a espiritualidade(1) – desde  suas contradições,  acertos e erros, verdadeira  luta pela sobrevivência. Assim caminha a humanidade – “é uma carruagem que passa deixando poeira àqueles que se encontram à beira do caminho” (…)

Hoje, de modo especial,  ressignificar o sentido à vida,  individual e coletiva, não é uma das tarefas mais fáceis. Vive-se uma fragmentação generalizada. Vive-se uma pluralidade de ofertas e uma diversidade de opções e caminhos.  Vive-se uma sobrevivência sem compromisso com o semelhante, muitas vezes, chegando às raias da exterminação do semelhante, próximo mais próximo e do próximo “mais distante”. O “individualismo exacerbado” cresce… cada um por si, não importa. E porquê se importar?

Essa reflexão   tem a pretensão de sensibilizar-se às possibilidades  colaborativas  da psicanálise na construção da singularidade do ser humano,  quando em diálogo terapêutico com a realidade.

Primeiro, pelo resgate  do “bom-humor” do bem-estar,   que se perde frente ao sofrimento  e segundo,   pela transformação   da realidade sociocultural que manipulada – coisifica a existência. Compromissos efetivos e eficazes de cuidado, autocuidado, farão diferença, no tempo, de modo exponencial.

Psicanálise em diálogo – primeiro cuidado, bem/mal.

Falar da natureza do ser humano é se dar ao exercício  da “racionalização da complexidade”. 

De maneira simples, o que interessa a essa reflexão   é repercutir   a  tendência dos seres humanos em dividir a humanidade. Quem é do bem?  Quem é do mal? Certamente, pessoas do bem fazem coisas boas e pessoas do mal fazem coisas ruins. 

Acredito que esta atitude irrefletida  de julgamento, carregada de preconceito,   revela   o apequenamento  e a mesquinhez daqueles que se  julgam melhores. Não é um caminho cativante… 

Quem somos nós  para julgar quem é do bem e quem é do mal? Pessoas do bem, igualmente,  praticam coisas ruins e pessoas do  mal, igualmente,  praticam coisas boas. Grande dilema que se coloca ao crivo do certo e do errado – nossas normas morais – diga-se de passagem, muitas vezes “máscaras de um desencontro existencial”.

É preciso repensar o lugar da bioética na busca de sentido à totalidade.

Psicanálise em diálogo – segundo cuidado, pobres/ricos.

A sociedade se encontra dividida,  diversos grupos,  pessoas que têm muitos bens materiais e recursos financeiros extraordinários para “até a quinta geração” e do outro lado, aqueles que quase nada  têm… os empobrecidos, os marginalizados, os excluídos. 

Trata-se das  classe sociais, muito  ricos, muito   pobres…  intermediários e  restantes, miseráveis.  Também aí, a vida não encontra sentido, a vida não se explica. 

O ser humano não é o que possui, o ser humano é a sua essência, aquilo que é.  

É preciso repensar a distribuição dos bens, a economia solidária.

Psicanálise em diálogo – terceiro cuidado, crentes/não crentes. 

Acreditar em Deus, não acreditar.  Teísmo, ateísmo, agnosticismo. As pessoas  se organizam conforme  seus credos religiosos, tem-se aí, igualmente, uma diversidade de crenças, religiões, espiritualidades e religiosidades. É muito instigante a partilha do sentido do “fenômeno religioso” (…)

 Existe nestes grupos uma visão de mundo,  sentido de vida – muitos experimentam e buscam  o sentido da felicidade, da salvação paradisíaca –  muitos outros, também,  fora  da experiência religiosa, se encontram em  processos de busca, insatisfeitos com aquilo que encontram.

Diversos caminhos com, muitas vezes, diversos encontros,  desencontros/frustrações.

É preciso repensar o lugar das crenças na busca do sentido. 

Psicanálise em diálogo – quarto cuidado, político/apolítico.

Diversas  pessoas, cada grupo com sua ideologia e seus partidos. Todos  em busca do bem-viver, individual e coletivo.

Curiosamente também aí, a limitação se apresenta, quando se experimenta o fundamentalismo político que massacra quem pensa diferente e  exclui os diferentes… a ideologia ainda  não   dialoga  bem com o pensamento divergente.

No cenário mundial, de um lado, aqueles que defendem a “cultura  da democracia” e de outro, aqueles que defendem Estados totalitários,  sem liberdade e “pseudo bem-estar” para todos. 

É preciso repensar o lugar da política na busca de sentido.

Finalmente,

PSICANÁLISE EM DIÁLOGO
PSICANÁLISE EM DIÁLOGO

(…) onde pode colaborar  a psicanálise e como estabelecer o diálogo com a realidade, de tal forma que prevaleçam relações saudáveis na construção e na  busca do sentido da vida, do bem-estar para todos? 

Pela reflexão compartilhada, curiosamente, chama atenção, o potencial da psicanálise quando o objeto de estudo é a vida psíquica,  em termos de conhecimento, pesquisa e  experiência. Evidentemente,  tem muito a contribuir. 

Com foco, desde o  início,  nas relações do eu consigo mesmo, a psicanálise freudiana/lacaniana se expande ao longo dos anos. 

Soma-se ainda,  a particularidade contributiva da visão lacaniana, onde o eu está em constante diálogo com o Outro, que habita o  inconsciente. O mundo externo  habita a singularidade. 

A efervescência da realidade assola e  nestas últimas décadas, nota-se o alargamento, distanciamento da própria identidade e do imperativo do pertencimento. Sem identidade, sem destino, sem rumo e sem felicidade,  não se pode “esperançar”, desde o presente,  o horizonte da existência. 

Então, perspectivar a positividade dialogal  da psicanálise na construção de um mundo diferente e promissor, será uma forma de pensar acertadamente, e porquê não – bussolar.

Agregar sentido à identidade, na experiência da singularidade, por meio da psicanálise, será  caminho  sinérgico e colaborativo à ética, à bioética, economia, religião e  política. 

Em Lacan se fala que a psicanálise se circunscreve à ética do desejo… Se se entende que o desejo é aquilo que nos falta e é aquilo que ao mesmo tempo, nos movimenta, aprofundar a ética do desejo, será um caminho formidável para se resgatar a identidade que se perde e a cada dia nos desafia.

Ainda que se encontre críticos à psicanálise no mundo atual, pensar a realidade a partir dela, é uma forma de pensar “fora da casinha”, “fora da curva” – ao ser humano se agrega novos valores sempre quando nos colocamos em relações saudáveis e sinergéticas – o outro existe pela intensidade da nossa interação.

Acredito que investir no diálogo construtivo  da psicanálise com a realidade do mundo de hoje, atualizando, repensando e aprofundando,  cada vez mais, as descobertas psicanalíticas, será um bom   caminho, rico de oportunidades. Instigante e inquietante. 

(…) resgatar por meio da psicanálise, a identidade, o bem-estar, a qualidade de vida,   das diversas pessoas que se angustiam, ao experienciar a existencialidade,  será uma contribuição  agregadora e diferenciada que fará significativa contribuição.

   Um lugar garantido à  psicanálise, às psicoterapias – às terapias – deveras,   pode encantar, desafiar…desafinar, jamais! E a ponte onde a singularidade vai e vem passa pela relação dialogal.

João Barros Silva

FLORIPA, AGOSTO 2023

Nota

  1. “A espiritualidade se encontra na leveza e na verdade das coisas mais simples e mais grandiosas da vida… No choro de felicidade e de tristeza; no sorriso da criança, do adolescente, do adulto e do idoso; no canto dos pássaros; balanço das árvores; nos sentimentos internos de tormenta e calmaria. O que seria da vida sem isso? ” (MARIA APARECIDA MELLO)

Referência básica (s)

  1. “O Mal-estar na Civilização” de Sigmund Freud

Resenha: Neste livro clássico, Freud explora a tensão entre o desejo individual e as demandas da sociedade civilizada. Ele aborda a natureza do mal-estar humano e explora como a psicanálise pode ajudar a entender e lidar com essas complexidades. A obra é um importante ponto de partida para aqueles que buscam entender como a psicanálise pode colaborar na busca de relações saudáveis e significado na vida.

2. “A Descoberta do Inconsciente” de Henri Ellenberger

Resenha: Ellenberger apresenta um estudo profundo sobre a história da psicanálise e a descoberta do inconsciente. O livro é uma ferramenta valiosa para entender como a psicanálise se relaciona com outros campos da psicologia e como ela pode ser usada para abordar questões de bem-estar e sentido na vida moderna.

3. A Paixão Segundo G.H. de Clarice Lispector

Resenha: Embora seja uma obra de ficção, este livro de Lispector é profundamente enraizado em questões filosóficas e psicanalíticas. A história de uma mulher em uma profunda crise existencial oferece uma visão sobre o autoconhecimento e a busca pelo sentido da vida. É uma leitura instigante para quem se interessa pelo diálogo entre literatura e psicanálise.

4. Mentes inquietas: entenda melhor a mente saudável e a mente ansiosa e Ana Beatriz Barbosa Silva

Resenha: A autora, psiquiatra renomada, oferece uma visão clara e acessível sobre transtornos de ansiedade e como podem afetar a busca pelo bem-estar e sentido na vida. Ela discute tratamentos e abordagens, incluindo a psicanálise, para ajudar aqueles que lutam com essas questões. É uma leitura útil tanto para profissionais quanto para leigos.

5. Psicanálise e Educação de Maria Rita Kehl

Resenha: Kehl explora como a psicanálise pode ser aplicada no campo da educação, enfocando a formação de indivíduos conscientes e responsáveis. O livro aborda como a psicanálise pode ajudar educadores e alunos a estabelecerem relações saudáveis e a buscar o sentido e o bem-estar em suas vidas.

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João Barros - empresário/escritor - professor com formação em filosofia/pedagogia, teologia/psicanálise (...) atualmente, diretor pedagógico na empresa SELO BE IBRATH - com foco na supervisão e qualificação dos produtos pedagógicos e cursos livres em saúde, qualidade de vida e bem-estar. Quanto às crenças e valores, vale a máxima: o caráter do profissional em saúde - isto é - dos psicanalistas/terapeutas - determina sua missão. "Mens sana in corpore sano".

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