252-DESEJO,LOGO EXISTO – Instituto Brasileiro de Terapias Holísticas
AGRESSIVIDADE HUMANA

252-DESEJO,LOGO EXISTO

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“Uma etiologia (do grego αιτία, aitía, “causa“) sexual se mostra invariavelmente presente nos casos de histeria – Freud (1893)”. Que tal  experimentar, com uma   “atenção flutuante”, esta narrativa, fora do divã.

Quase sempre uma “causa”, ligada a temas da sexualidade, está presente nos “conflitos psíquicos  freudianos”  (neuroses, psicoses e perversões), chamados de “afetos aflitivos”, gerando sofrimentos localizados.

DESEJO, LOGO EXISTO
DESEJO, LOGO EXISTO

INTRODUÇÃO – desejo, logo existo.

 Segundo Claparède, “o instinto sexual é o motivo de todas as manifestações da atividade psíquica”. Será que estamos diante de possíveis conflitos ao colocar o desenvolvimento psicossexual (energia/libido), desde  início, como parte fundamental da evolução psíquica da vida humana, ao falarmos de…  “desejo, logo existo” ?

Tem-se clareza das consequências  desta afirmação, mas sinta-se convidado a mergulhar  nestas águas, rasas aos primeiros passos  e profundas na travessia…

Com certeza,  o que se procura, dependerá da  “curiosidade champolliona” em decifrar a “psique-freudiana”, caracterizada por uma divisão topográfica da mente, em três níveis/sistemas, pela hierarquização das suas instâncias em Consciente (Cs), Pré-consciente(Pcs) e Inconsciente(Ics), e  pela subdivisão do Inconsciente em ID, EGO e SUPEREGO,  frente à força do instinto, das pulsões  e da inteligente  sedução ao “eu-desejante”, que insistirá, ad aeternum,  em  deixar-se encontrar.

Consciente, pré-consciente e inconsciente

(…) pequena parte da mente, situado na periferia do aparelho psíquico. Pré-consciente, “barreira” entre Inconsciente  e Consciente.   Segundo Freud, a maior parte desse sistema  é Inconsciente. Encontra-se aí,  os determinantes para a personalidade, com  fontes de energia, instintos e pulsões, mais os “desafetos” reprimidos.  Aqui, a primeira tópica.

Uma nova fronteira conceitual, então,  é descoberta entre o somático  e o psíquico. Quem quiser passar para além do Bojador e/ou atravessar o Rubicão, se surpreenderá. 

Tem-se a  impressão que os estudos de Freud a respeito   das neuroses/histeria (ponto de partida do saber psicanalítico)  permitiram  descobrir o método científico para estudar  o Inconsciente, território da iniciante psicanálise” data-wpil-keyword-link=”linked”>psicanálise à  época e que mais tarde, será reconhecida como “saber interpretativo”, “cura pela palavra”,  por se revelar em  “pistas de interpretação”,  conduzindo “à consciência do doente, o psíquico recalcado (desafeto) nele – Freud(1922)”

Sua contribuição à humanidade é fruto de  árdua pesquisa    à  mente, demente.  O potencial  misterioso da psique se revela ao criar o segundo mundo imaginário  tão real, tanto quanto, ao primeiro mundo experienciado e vivenciado, “hic et nunc”. 

Por acreditar   que se é  aquilo que se escolhe, os indivíduos refletem  e reproduzem  “assimilando” a diversidade das ofertas midiáticas  e imposições mercadológicas  por meio da   família, na primeira socialização e depois,  na sociedade, meios de comunicação  e muitos outros segmentos  em  que se respira, desde aí até a  vida adulta. Dizem que  a cultura uniformizante/dissimulante   fará “as pessoas  semelhantes”, será verdade?

Freud, em 1923

(…) ao estruturar o aparelho psíquico (conjunto de elementos  organizados  em sistemas, ocupando certo lugar na mente) abala muitas crenças, inclusive   a crença tradicionalizada   dos filósofos racionalistas. A racionalidade não conceituará  o homem em sua totalidade, d’ora em diante.  O homem não será somente o limite de   sua consciência. 

Freud representa assim,  a “terceira ferida narcísica” da humanidade e  divide os estudiosos de seu tempo deixando sua revolucionária marca  na história, à semelhança  de Copérnico e   Darwin. 

Na descoberta construtiva da teoria do Inconsciente, três sistemas caracterizam a formação da personalidade, “ID,EGO,SUPEREGO”. Na verdade, trata-se, das instâncias do aparelho psíquico, advindas juntamente com o  método proposto por Freud,  depois de um longo tempo, incubado em clínicas, pesquisas, experiências e registros. “O eu não é mais senhor em sua própria casa – Freud”. Aqui, a segunda tópica.

A teoria se consolida, apesar de tantos desencontros. O ser humano realmente não precisará se  “esconder”  numa porção significativa do Inconsciente. A psicanálise e o  seu  “constructo teórico” se tornarão  um caminho árduo,  laborioso e    exitoso àqueles que se “dispuserem a descobrir-se” (“o enigma da esfinge…decifra-me ou devoro-te”). 

O aparelho psíquico, até então, inexistente, passa a ser estudado chamando  atenção de Freud, sua dinâmica. É fundamental  compreender, passo a passo, como funciona e gera energia (mobilização energética pulsional). No modelo da  primeira tópica se encontram as pulsões do eu e as sexuais e no modelo da  segunda, se encontram as pulsões de vida e de morte.

Descobre-se  a diferença entre  instinto/Instinkt   e a pulsão/Trieb. Juntos  revelam o potencial do dinamismo psíquico –  energías, motivadas pelo desejo,  caminham em direção à descarga.     Nas  instâncias, descargas  em trânsito, dinamizam  o ID (princípio do prazer/desprazer), o EGO (regulador/mediador) e o SUPEREGO (regulador/repressor).  É a  vida psíquica fluindo, em abundância. 

O instinto, pela  natureza biológica

  (…) é uma herança dos  antepassados. Ele  tem uma finalidade específica, fisiológica  e  se apresenta com suas   necessidades básicas.

Por outro lado, a pulsão, necessidade psico-física, tem suas  representações psicológicas. Ela vai para além da necessidade e  nem  termina completamente. Busca  satisfação e descarga. Trata-se de uma experiência pessoal. O objeto do desejo  pode variar sempre, ainda que, não necessariamente se limita ao objeto físico.

Segundo Freud, falar da teoria das pulsões, é falar da   mitologia pessoal, das coisas (inconsciente) e palavras (pré-consciente) que nos habitam  (colonização afetiva). As pulsões, contínuas,   precisam de controle e destino,  senão, se transformam em sintomas. Portanto, precisam ser canalizadas. 

 A pulsão,   representante psíquico das excitações, tem sua origem  no interior do corpo e  chega ao psiquismo (Freud,1015). As necessidades internas produzem excitações, acompanhadas de movimentos em suas descargas, chamadas de  “expressões emocionais”.  Essa força (soma de excitações) precisa estar ligada a um representante (afeto/ideia) para que possa se manifestar. 

Identifica-se  nas pulsões, os três princípios básicos: do prazer, da realidade e da compulsão à repetição (desprazer). “Para Freud, estamos divididos entre o princípio do prazer (que não conhece limites) e o princípio de realidade (que nos impõe limites), Lima (2009).

Na intenção de restaurar  o “estado anterior de coisas” (expressão da inércia inerente à vida orgânica), cada um encontra a satisfação de seus próprios impulsos pulsionais de acordo com a trajetória e história libidinal  da própria subjetividade. 

Enquanto as pulsões de morte tentam adiantar o objetivo da vida (conduzir a vida orgânica de volta ao estado inanimado),  as tensões de vida tentam mostrar outro caminho, por meio de pequenas experiências de prazer/desprazer, prolongar a vida.

 Segundo Freud, “ …  tudo o que vive, morre por razões internas, torna-se mais uma vez inorgânico, seremos então compelidos a dizer que o objetivo de toda vida é a morte”.

 “Freud estabelece de forma definitiva a dualidade de Pulsões de Vida (Eros) e Pulsões de Morte (Thanatos), que, em algum grau, atuam  fundidos entre si”, segundo Rego. 

Na verdade

(…) na obra de Freud encontra-se  o(s)  conceito(s)  sobre as pulsões, em duas fases, segundo as tópicas.

Na primeira fase, em “Pulsões e seus destinos (1915), tem-se as pulsões consideradas, autopreservação (fome) e sexuais (satisfação/prazer). 

Na segunda, em “Além do princípio do prazer (1920),  tem-se as  pulsões de vida   (união das pulsões sexuais e do ego) e as  pulsões de morte  (redução da carga de tensão orgânica e psíquica). Em síntese, à semelhança da Física,  forças de atração e repulsão. 

Neste sistema desconhecido do Inconsciente (princípio do desprazer/prazer), território de ninguém e de muitas “coisas e palavras” ao mesmo tempo, existem ações, produções imaginárias (sonhos, fantasias, delírios), significantes dessignificados à espera   do princípio da realidade (pré-consciente), por desvelarem-se.

Finalizando

(…) causas diversas  se mostram “variavelmente” presentes nos conflitos psíquicos. À Consciência, órgão sensorial, resta o trabalho de perceber as qualidades psíquicas que  estimulam –   “a fluição/fruição”  – da vida.

Freud reconhece que as fantasias, com desejos conflitantes, ocupam um lugar importante na etiologia das neuroses histéricas e que a maioria das  histéricas, não sofreu abusos.  A teoria do trauma é substituída pela  realidade psíquica. Da imaginação para se chegar à mente, um passo à vida intrapsíquica.

E quanto a  Claparède, ao ver o instinto sexual em todas as manifestações da atividade psíquicas, alimenta um   “pseudo-pansexualismo freudiano”.  Na verdade, trata-se de um reducionismo, uma recusa do essencial na experiência psicanalítica.  “Aquilo que Freud descobriu (e fundou teoricamente) como lugar real de onde se determinam as subjetividades continua sendo o mesmo lugar….(graças) à atualidade e ao vigor do pensamento do mestre vienense.” (Cardoso).

Freud concentrou seu trabalho no  Inconsciente – base e realidade  da vida psíquica – a partir  das neuroses e transferências. Atualmente, por  se entender a psicanálise como   campo dinâmico e sempre em mudança, é preciso caminhar para além…

Histórias libidinais 

(…) explicam a subjetividade  daqueles que procuram no Inconsciente, identidade, para além do narcisismo egóico e da imposição social.

 “Flectere si nequeo superos, Acheronta movebo”,  isto é, se não “puder” vencer os céus, “mova” o Inferno(Inconsciente) –  (Virgílio, Eneida. Livro VI, verso 878). 

Se a alma da psicanálise é interpretação, bons resultados dependem de boas  “pistas interpretativas”. Instinto e pulsão, de fato,  geram conflitos psíquicos. Desafie-se à travessia deste “rubicão/bojador psicanalítico”, de modo teórico, prático, ético… e desejante. Vale a pena. 

 “Tudo vale a pena se a alma não é pequena. 

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor…” 

 (Fernando Pessoa).

João Barros

Floripa, Agosto 2023

Referências básicas

  1. “O Mal-estar na Civilização” – Sigmund Freud
    • Resenha: Nesta obra profunda, Freud explora a tensão entre os desejos individuais e as demandas da sociedade. Argumentando que a civilização reprime os instintos naturais do homem, Freud delineia a eterna luta entre o desejo de liberdade individual e a necessidade de repressão para manter a ordem social.
  2. “O Eu e o Id” – Sigmund Freud
    • Resenha: Freud introduz o conceito da divisão da mente humana em três partes: o id, o ego e o superego. Nesta exploração, ele descreve como esses três componentes interagem e competem, formando a base da personalidade humana e do comportamento.
  3. “A Interpretação dos Sonhos” – Sigmund Freud
    • Resenha: Em sua obra mais icônica, Freud argumenta que os sonhos são manifestações dos desejos reprimidos e inexplorados. Através da análise dos sonhos, ele revela as profundezas do inconsciente e estabelece o método de interpretação dos sonhos como uma ferramenta fundamental na prática psicanalítica.
  4. “O Espelho do Real: Psicanálise e Arte” – Jean Bellemin-Noël
    • Resenha: Bellemin-Noël explora a intersecção entre a psicanálise e a arte, sugerindo que ambas buscam retratar e compreender a realidade psíquica. Esta obra profundamente perspicaz explora como a arte, assim como os sonhos, pode servir como uma janela para o inconsciente.
  5. “O Seminário, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise” – Jacques Lacan
    • Resenha: Lacan, um dos mais influentes pós-freudianos, aborda quatro pilares da psicanálise: a divisão entre o inconsciente e a linguagem, o papel do ego na formação da identidade, o conceito de objeto “a” e a natureza transgressora da pulsão de morte. Esta obra é essencial para aqueles que desejam compreender as evoluções contemporâneas da teoria psicanalítica.

O que é o instinto sexual para Claparède?

 Segundo Claparède, “o instinto sexual é o motivo de todas as manifestações da atividade psíquica”. Será que estamos diante de possíveis conflitos ao colocar o desenvolvimento psicossexual (energia/libido), desde  início, como parte fundamental da evolução psíquica da vida humana, ao falarmos de…  “desejo, logo existo” ?

Quais os três sistemas que caracterizam a formação da personalidade, segundo Freud?

Na descoberta construtiva da teoria do Inconsciente, três sistemas caracterizam a formação da personalidade, “ID,EGO,SUPEREGO”. Na verdade, trata-se, das instâncias do aparelho psíquico, advindas juntamente com o  método proposto por Freud,  depois de um longo tempo, incubado em clínicas, pesquisas, experiências e registros. “O eu não é mais senhor em sua própria casa – Freud”. Aqui, a segunda tópica.

Quais os três princípios básicos encontrados nas pulsões?

Identifica-se  nas pulsões, os três princípios básicos: do prazer, da realidade e da compulsão à repetição (desprazer). “Para Freud, estamos divididos entre o princípio do prazer (que não conhece limites) e o princípio de realidade (que nos impõe limites), Lima (2009).

João Barros - empresário/escritor - professor com formação em filosofia/pedagogia, teologia/psicanálise (...) atualmente, diretor pedagógico na empresa SELO BE IBRATH - com foco na supervisão e qualificação dos produtos pedagógicos e cursos livres em saúde, qualidade de vida e bem-estar. Quanto às crenças e valores, vale a máxima: o caráter do profissional em saúde - isto é - dos psicanalistas/terapeutas - determina sua missão. "Mens sana in corpore sano".

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