270-SONHO E SIMBOLISMOS – Instituto Brasileiro de Terapias Holísticas
AGRESSIVIDADE HUMANA

270-SONHO E SIMBOLISMOS

❤️ Deixe sua Avaliação Positiva post

Loading

SONHO E SIMBOLISMOS – Os sonhos, em suas contradições e fusões, são tanto um mistério a ser decifrado quanto uma fonte inestimável de introspecção e autoconhecimento. Em sua complexidade, eles nos lembram da maravilha e enigma que é estar vivo.

SONHOS
SONHOS

Uma Imersão – Contradições e Simbolismos

A Universalidade do Sonho

Todos nós, em algum momento de nossas vidas, encontramo-nos imersos em paisagens oníricas deslumbrantes, enigmáticas e, por vezes, perturbadoras. Essas visões, tão reais em sua temporalidade, são mais do que meras sequências aleatórias de imagens. São a expressão mais pura e intrínseca de nossos desejos, medos e memórias. As palavras de Freud ressoam com clareza: “No fundo os sonhos nada mais são do que uma forma particular de pensamento, possibilitada pelas condições do sonho…” (Freud, 1900).

A Dualidade dos Sonhos: Da Euforia à Angústia

Seja diante de uma fábrica produzindo doces em volumes incríveis ou enfrentando o terror de banheiros transformados em pântanos, os sonhos mergulham a mente em um turbilhão de sensações. Os cenários descritos evocam imagens tão diversas quanto manguezais e delicados bebês que se dissolvem em nossos braços. Eles revelam a capacidade dos sonhos de simultaneamente encantar e aterrorizar, refletindo as complexas dualidades de nossas emoções e experiências.

Sonhos como Refúgio e Reconciliação

Em nossos sonhos, podemos encontrar amigos de infância, desafetos transformados em aliados e cenários de conforto como o calor das carícias familiares. Estas visões servem como um refúgio, uma forma de nos reconectar com o passado, resolver antigas animosidades e experimentar a nostalgia. Eles funcionam como uma plataforma de reconciliação, oferecendo um espaço seguro para enfrentar e resolver conflitos internos.

O Significado Oculto: A Linguagem Simbólica dos Sonhos

Tão variados e complexos como as situações que descrevem, os sonhos são repletos de simbolismos. Montanhas imponentes acima das nuvens, portas sem fechaduras e salas vazias com vestígios de construção são representações simbólicas. Eles podem significar obstáculos intransponíveis, oportunidades não realizadas ou partes incompletas de nossas vidas. A linguagem dos sonhos é ambígua e multifacetada, e sua interpretação requer uma imersão profunda no mundo interno do sonhador.

Os Sonhos na Tapeçaria da Existência Humana

Mais do que meras projeções noturnas, os sonhos são janelas para o nosso interior, refletindo nossos anseios mais profundos, traumas, esperanças e medos. Eles são a evidência da rica tapeçaria emocional e psicológica da existência humana. Os sonhos, em suas contradições e fusões, são tanto um mistério a ser decifrado quanto uma fonte inestimável de introspecção e autoconhecimento. Em sua complexidade, eles nos lembram da maravilha e enigma que é estar vivo.

Uma Viagem ao Inconsciente

A Banalidade e a Profundidade do Sonhar

Para muitas pessoas, os sonhos são meras sequências de imagens aleatórias, destituídas de significado profundo. A interpretação popular, muitas vezes, limita-se a analogias simples e interpretações generalizadas, negligenciando a complexidade intrínseca do fenômeno onírico. No entanto, ao nos debruçarmos sobre a teoria freudiana, somos apresentados a um vasto universo de simbolismos e mensagens subjacentes, presentes em nossas jornadas noturnas.

Freud e a Revelação do Inconsciente através dos Sonhos

A “erupção freudiana” revolucionou a compreensão dos sonhos ao introduzir o conceito de inconsciente e destacar sua relação intrínseca com os desejos reprimidos. Como Freud afirmou, o sonho é “o caminho real para o inconsciente” (Freud, 1900). Mais do que meras projeções noturnas, os sonhos são manifestações de desejos inconscientes, muitas vezes reprimidos, buscando expressão.

Sentido Manifesto e Sentido Latente

Em “A Interpretação dos Sonhos” (1900), Freud introduz uma distinção fundamental entre o que é imediatamente percebido no sonho (sentido manifesto) e o significado subjacente e oculto (sentido latente). Através do método das associações livres, proposto por Freud, é possível desvendar os intricados fios que ligam os elementos manifestos de um sonho à rica tapeçaria de desejos e memórias do sonhador.

Perspectiva Freudiana: Do Trauma ao Desejo

Originalmente, Freud postulou que os traumas da infância eram a fonte primária dos conteúdos oníricos. No entanto, essa perspectiva evoluiu para uma compreensão mais ampla de que os sonhos são impulsionados pelo desejo, superando a ideia central do trauma. Posteriormente, a interpretação psicanalítica focaria mais na dinâmica entre sintoma e fantasia, reconhecendo que a compreensão e a integração da fantasia inconsciente podem ser chaves para a resolução dos sintomas neuróticos.

Sonhar como Portal para o Autoconhecimento

Contra a concepção popular de que “sonho é apenas sonho”, a contribuição de Freud desvenda a complexidade e a profundidade dos sonhos, revelando-os como ferramentas valiosas para o autoconhecimento. A abordagem freudiana destaca a importância de se levar os sonhos a sério, não apenas como fenômenos passageiros da noite, mas como janelas para as profundezas de nossa psique. Reconhecer essa profundidade é dar um passo em direção a uma compreensão mais completa e integrada de nós mesmos.


O Sonho Sob o Olhar de Freud

A Enigmática Natureza dos Sonhos

O fenômeno dos sonhos tem intrigado a humanidade ao longo dos séculos. Muitos se questionam sobre sua natureza, propósito e significado. Enquanto diversas culturas e tradições buscam respostas em interpretações místicas ou populares, Freud, com seu olhar perspicaz, avançou em uma compreensão mais profunda e científica dos sonhos.

Conteúdo Manifesto e Latente

Segundo Elsa Susemihl, ao sintetizar a visão de Freud, é esclarecido que “O sonho é composto de um conteúdo manifesto e um conteúdo latente” (Susemihl). O conteúdo manifesto refere-se ao que é imediatamente percebido no sonho, enquanto o latente revela os desejos e pensamentos subjacentes. A transformação do conteúdo latente em manifesto é o que Freud chamou de “trabalho onírico”.

Condensação, Deslocamento e Elaboração

O processo de formação do sonho é complexo e multifacetado. O “trabalho onírico se compõe de condensação, deslocamento, consideração à apresentabilidade e elaboração secundária” (Susemihl). Esses mecanismos transformam os impulsos inconscientes, os “filhos da noite”, e os pensamentos latentes pré-conscientes em sonhos coesos e muitas vezes enigmáticos.

Repressão, Censura e a Realização do Desejo

Durante o sono, a repressão e a censura relaxam, permitindo que desejos recalcados surjam. Estes se unem aos pensamentos latentes, formando o substrato do sonho. Como Susemihl destaca, o sonho é uma “forma de desejos realizados”. Portanto, surge a pergunta: os sonhos seriam simplesmente uma maneira de pensar e sentir, conforme orientado pela perspectiva freudiana?

Conclusão

O trabalho de Freud sobre os sonhos revela sua natureza multifacetada, servindo como uma janela para o inconsciente. A compreensão dos sonhos não se limita apenas à interpretação freudiana; eles ocupam um espaço vasto na psicologia humana e na expansão da consciência.

Como poeticamente descrito por Carlos Nejar, “O sonho é uma caverna de águas e ventos. Se estiver dentro de mim, pode empurrar-me. Ao acordar, eu sou maior que ela. Ao deitar, me domina” (Nejar, 1998).

Esse enigma onírico continua a desafiar e inspirar, convidando-nos a mergulhar mais fundo em nossa própria psique.

João Barros

Floripa, 18.08.23

REFERÊNCIAS BÁSICAS

  1. “A Interpretação dos Sonhos” de Sigmund Freud
    • Resenha: Publicado originalmente em 1900, esta obra é considerada um dos pilares da teoria psicanalítica de Freud. Nela, o autor introduz a ideia de que sonhos são uma forma de realização de desejos reprimidos e oferece uma análise detalhada dos processos que moldam o conteúdo manifesto e latente dos sonhos. Um trabalho essencial para quem deseja compreender as bases da interpretação dos sonhos na psicanálise” data-wpil-keyword-link=”linked”>psicanálise.
  2. “O Seminário, Livro 5: As Formações do Inconsciente” de Jacques Lacan
    • Resenha: Lacan, uma das figuras mais proeminentes na psicanálise pós-freudiana, explora em seu quinto seminário as estruturas e formações do inconsciente, abordando temas como sonhos, chistes e sintomas. O livro aprofunda a compreensão dos sonhos como fenômenos que fornecem acesso ao inconsciente e aos desejos reprimidos.
  3. “Sonhos: Uma síntese” de Rosa Maria Farah
    • Resenha: Nesta obra, a autora apresenta uma visão panorâmica dos sonhos, unindo conceitos da psicanálise, da neurociência e da cultura popular. O livro serve como uma excelente introdução à temática dos sonhos, abordando tanto sua natureza biológica quanto sua relevância psicológica e cultural.
  4. “A Angústia e o Desejo do Outro na Psicanálise” de Durval Marcondes
    • Resenha: Durval Marcondes, renomado psicanalista brasileiro, explora neste livro a relação entre angústia e desejo na psicanálise. Embora não se concentre exclusivamente nos sonhos, a obra fornece insights valiosos sobre a dinâmica dos desejos reprimidos e a forma como se manifestam, sendo relevante para o entendimento dos sonhos no contexto psicanalítico.
  5. “Os sonhos na teoria psicanalítica” de Nise da Silveira
    • Resenha: Nise da Silveira, discípula de Carl Jung e renomada psiquiatra brasileira, explora neste livro a teoria dos sonhos sob a ótica da psicanálise. A autora investiga a natureza dos sonhos e sua relação com o inconsciente, conectando conceitos freudianos com perspectivas junguianas. A obra é uma leitura essencial para quem busca uma compreensão mais ampla e integrada da interpretação dos sonhos na psicanálise.

O que são os sonhos?

Mais do que meras projeções noturnas, os sonhos são janelas para o nosso interior, refletindo nossos anseios mais profundos, traumas, esperanças e medos. Eles são a evidência da rica tapeçaria emocional e psicológica da existência humana.

O que são os sonhos?

Os sonhos, em suas contradições e fusões, são tanto um mistério a ser decifrado quanto uma fonte inestimável de introspecção e autoconhecimento. Em sua complexidade, eles nos lembram da maravilha e enigma que é estar vivo

João Barros - empresário/escritor - professor com formação em filosofia/pedagogia, teologia/psicanálise (...) atualmente, diretor pedagógico na empresa SELO BE IBRATH - com foco na supervisão e qualificação dos produtos pedagógicos e cursos livres em saúde, qualidade de vida e bem-estar. Quanto às crenças e valores, vale a máxima: o caráter do profissional em saúde - isto é - dos psicanalistas/terapeutas - determina sua missão. "Mens sana in corpore sano".

Deixe um comentário