264-RAÍZES DA SEXUALIDADE – Instituto Brasileiro de Terapias Holísticas
AGRESSIVIDADE HUMANA

264-RAÍZES DA SEXUALIDADE

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INTRODUÇÃO

A frase “Raízes da sexualidade” retrata a intrínseca ligação entre o desejo e nossa existência, conforme postulado pela psicanálise freudiana. Segundo esta visão, o desejo, especialmente de origem sexual, é um motor principal de nossa psique.

RAÍZES DA SEXUALIDADE
RAÍZES DA SEXUALIDADE

RAÍZES DA SEXUALIDADE

Consciente, Pré-consciente e Inconsciente: A Tríade da Mente Humana

  • Consciente: Representa nossa percepção imediata, aquilo que está na superfície de nossa mente.
  • Pré-consciente: Atua como uma ponte, uma “barreira” entre o que está oculto (Inconsciente) e o que é perceptível (Consciente).
  • Inconsciente: Abriga os desejos mais profundos, pulsões, traumas e memórias reprimidas. É aqui que a verdadeira essência da psicanálise” data-wpil-keyword-link=”linked”>psicanálise reside, na exploração desses recônditos mentais.

ID, EGO e SUPEREGO: A complexidade da Psique Freudiana

Estes três componentes trabalham juntos e, por vezes, em oposição, para formar a personalidade humana:

  • ID: O reservatório das pulsões e desejos primordiais.
  • EGO: Media os desejos do ID com as realidades do mundo externo.
  • SUPEREGO: Representa a internalização das normas sociais e morais.

A Revelação da Neurose e da Histeria

Freud iniciou seus estudos analisando a neurose e a histeria, condições que ele acreditava estarem profundamente enraizadas em conflitos sexuais reprimidos. Essas investigações levaram à criação do método psicanalítico, uma abordagem terapêutica que busca trazer ao consciente os traumas ocultos do inconsciente.

A Influência do Mundo Exterior

Estamos constantemente moldados por forças externas, desde a socialização na família até as imposições da mídia e do mercado. A cultura, com sua tendência à uniformização, pode, em muitos casos, amplificar os conflitos internos ao tentar moldar os indivíduos em padrões predefinidos.

Questionando a Uniformidade Cultural

Ao passo que a sociedade e a cultura tentam nos uniformizar, a psicanálise busca entender as singularidades. Por trás de cada comportamento, de cada desejo, há um mundo de experiências e traumas individuais. A grande questão que se coloca é: até que ponto a cultura pode realmente nos tornar “semelhantes”?

Ao explorar o intrincado labirinto da mente humana, a psicanálise oferece uma compreensão mais profunda dos conflitos que nos moldam. A compreensão e a aceitação desses desejos e traumas reprimidos são essenciais para o verdadeiro crescimento e realização pessoal. E, como Freud nos ensinou, é no desejo que encontramos a chave para desvendar a complexidade da alma humana.

A FORMAÇÃO DA MENTE – RAÍZES DA SEXUALIDADE

O Papel da Sexualidade na Formação da Mente

Freud, com sua declaração “Uma etiologia sexual se mostra invariavelmente presente nos casos de histeria”, sugere que a sexualidade não é apenas uma característica secundária da personalidade, mas uma de suas fundações essenciais. Quando Claparède afirma que “o instinto sexual é o motivo de todas as manifestações da atividade psíquica”, ele ecoa o mesmo pensamento, colocando o desejo sexual como um dos pilares centrais da psique.

A Mente Tripartite: Consciente, Pré-consciente e Inconsciente

Ao apresentar a ideia de um aparelho psíquico composto por três níveis distintos: Consciente, Pré-consciente e Inconsciente, Freud desvendou a complexa estrutura da mente humana. Enquanto o Consciente abriga nossos pensamentos imediatos, o Inconsciente é o repositório de nossos desejos reprimidos, e o Pré-consciente atua como um mediador entre os dois. É aqui que encontramos a dinâmica de “repressão” e “retornos do reprimido”.

ID, EGO e SUPEREGO: As Instâncias da Personalidade

Em 1923, Freud aprofundou ainda mais sua análise da psique, introduzindo o ID, o EGO e o SUPEREGO – três instâncias que, juntas, compõem a personalidade. O ID, governado pelo princípio do prazer, busca a gratificação imediata, enquanto o SUPEREGO representa nossas normas internas e morais. No meio, o EGO tenta equilibrar as demandas de ambos, ao mesmo tempo que se adapta à realidade externa.

Pulsão vs. Instinto: A Energia que Movimenta a Psique

Dentro deste aparelho psíquico, Freud distinguiu entre instinto e pulsão. O instinto, de natureza biológica, é herdado e tem propósitos fisiológicos. Em contraste, a pulsão, uma necessidade psicofísica, busca satisfação. Freud acreditava que o verdadeiro desafio da psique humana é equilibrar essas forças internas, especialmente quando entram em conflito com a realidade externa.

Pulsões de Vida e Morte: O Eterno Duelo no Coração da Mente

Finalmente, a complexa interação entre Pulsões de Vida (Eros) e Pulsões de Morte (Thanatos) ressalta a tensão inerente à existência humana. Enquanto Eros nos impulsiona a criar, a se conectar e a viver, Thanatos nos lembra da inevitabilidade da morte. Esta dualidade, ao mesmo tempo conflitante e complementar, está no cerne de muitos dos dilemas humanos.

A contribuição de Freud à psicologia e à nossa compreensão da mente humana é imensurável. Ele não apenas desvendou as profundezas ocultas da psique, mas também mostrou que, no coração de nossa personalidade, jaz um desejo fundamental. Seja ele sexual, de conexão ou simplesmente um impulso para viver (ou morrer), é esse desejo que, segundo Freud, nos define como seres humanos


CONCEITOS NECESSÁRIOS – RAÍZES DA SEXUALIDADE

A Evolução do Conceito de Pulsões em Freud

Desde os primórdios da psicanálise, Sigmund Freud foi pioneiro em esquadrinhar as profundezas da mente humana. Em sua obra, uma das contribuições mais significativas é sua teoria das pulsões.

No início, em “Pulsões e seus destinos” (1915), Freud delineou duas pulsões primárias: as de autopreservação, relacionadas à fome e à sobrevivência, e as pulsões sexuais, associadas à satisfação e ao prazer. Mas, assim como a ciência, a teoria de Freud evoluiu. Em “Além do princípio do prazer” (1920), ele apresentou a ideia das pulsões de vida (uma combinação das pulsões sexuais e do ego) e das pulsões de morte, que visavam a redução da carga de tensão tanto orgânica quanto psíquica.


O Inconsciente: O Território Desconhecido

O inconsciente, segundo Freud, é um reino povoado de desejos reprimidos, sonhos, fantasias e delírios. É um território inexplorado onde residem os significantes desprovidos de seu significado original. Mas é também aqui que se origina o princípio do prazer e desprazer, um sistema complexo que busca equilíbrio entre a realidade externa e as demandas internas.


Conflitos Psíquicos e a Jornada da Consciência

Dentro desse complexo sistema de pulsões e desejos, a consciência trabalha diligentemente para perceber e interpretar as qualidades psíquicas que dão sentido à vida. No entanto, é inevitável que surjam conflitos. Freud observou que as fantasias, repletas de desejos conflitantes, têm um papel central na etiologia das neuroses histéricas. Contrariamente à crença popular, a maioria dos histéricos, segundo Freud, não sofreu traumas ou abusos. Ao invés disso, são os conflitos internos e a realidade psíquica que prevalecem sobre as experiências reais.


O Debate do Pansexualismo e a Relevância Contínua de Freud

A psicanálise não está imune a críticas e controvérsias. Claparède, por exemplo, viu o instinto sexual permeando todas as facetas da atividade psíquica, levando ao que muitos chamaram de “pseudo-pansexualismo freudiano”. No entanto, reduzir a obra de Freud a um simples pansexualismo é negar a riqueza e profundidade de sua contribuição para a compreensão da mente humana.


Desafiando o Rubicão Psicanalítico

Em meio à busca de compreensão do inconsciente, nos deparamos com o desafio de interpretar os sinais e símbolos que ele oferece. Como Virgílio sugere em sua Eneida, se não podemos compreender ou controlar as forças celestiais, devemos nos voltar para as profundezas do inconsciente. A verdadeira essência da psicanálise reside na interpretação, e os avanços nesse campo dependem de nossa capacidade de encontrar e seguir as pistas interpretativas corretas. Somente através da combinação de teoria, prática, ética e desejo é que a verdadeira travessia psicanalítica pode começar.


CONCLUSÃO – RAÍZES DA SEXUALIDADE

O legado de Freud não é apenas uma teoria ou conjunto de ideias, mas sim uma ferramenta poderosa para compreender a complexidade da mente humana. À medida que continuamos a explorar e desafiar os limites da psicanálise, nos aproximamos cada vez mais da verdadeira essência do ser humano.

João Barros

FLORIPA< 17.08.23

REFERÊNCIAS BÁSICAS

  1. “O Mal-estar na Civilização” – Sigmund Freud
    • Resenha: Nesta obra profunda, Freud explora a tensão entre os desejos individuais e as demandas da sociedade. Argumentando que a civilização reprime os instintos naturais do homem, Freud delineia a eterna luta entre o desejo de liberdade individual e a necessidade de repressão para manter a ordem social.
  2. “O Eu e o Id” – Sigmund Freud
    • Resenha: Freud introduz o conceito da divisão da mente humana em três partes: o id, o ego e o superego. Nesta exploração, ele descreve como esses três componentes interagem e competem, formando a base da personalidade humana e do comportamento.
  3. “A Interpretação dos Sonhos” – Sigmund Freud
    • Resenha: Em sua obra mais icônica, Freud argumenta que os sonhos são manifestações dos desejos reprimidos e inexplorados. Através da análise dos sonhos, ele revela as profundezas do inconsciente e estabelece o método de interpretação dos sonhos como uma ferramenta fundamental na prática psicanalítica.
  4. “O Espelho do Real: Psicanálise e Arte” – Jean Bellemin-Noël
    • Resenha: Bellemin-Noël explora a intersecção entre a psicanálise e a arte, sugerindo que ambas buscam retratar e compreender a realidade psíquica. Esta obra profundamente perspicaz explora como a arte, assim como os sonhos, pode servir como uma janela para o inconsciente.
  5. “O Seminário, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise” – Jacques Lacan
    • Resenha: Lacan, um dos mais influentes pós-freudianos, aborda quatro pilares da psicanálise: a divisão entre o inconsciente e a linguagem, o papel do ego na formação da identidade, o conceito de objeto “a” e a natureza transgressora da pulsão de morte. Esta obra é essencial para aqueles que desejam compreender as evoluções contemporâneas da teoria psicanalítica.

O que é o método psicanalítico?

Freud iniciou seus estudos analisando a neurose e a histeria, condições que ele acreditava estarem profundamente enraizadas em conflitos sexuais reprimidos. Essas investigações levaram à criação do método psicanalítico, uma abordagem terapêutica que busca trazer ao consciente os traumas ocultos do inconsciente.

O que é a sexualidade?

Freud, com sua declaração “Uma etiologia sexual se mostra invariavelmente presente nos casos de histeria”, sugere que a sexualidade não é apenas uma característica secundária da personalidade, mas uma de suas fundações essenciais. Quando Claparède afirma que “o instinto sexual é o motivo de todas as manifestações da atividade psíquica”, ele ecoa o mesmo pensamento, colocando o desejo sexual como um dos pilares centrais da psique.

Qual é a contribuição de Freud à Psicologia?

A contribuição de Freud à psicologia e à nossa compreensão da mente humana é imensurável. Ele não apenas desvendou as profundezas ocultas da psique, mas também mostrou que, no coração de nossa personalidade, jaz um desejo fundamental. Seja ele sexual, de conexão ou simplesmente um impulso para viver (ou morrer), é esse desejo que, segundo Freud, nos define como seres humanos

João Barros - empresário/escritor - professor com formação em filosofia/pedagogia, teologia/psicanálise (...) atualmente, diretor pedagógico na empresa SELO BE IBRATH - com foco na supervisão e qualificação dos produtos pedagógicos e cursos livres em saúde, qualidade de vida e bem-estar. Quanto às crenças e valores, vale a máxima: o caráter do profissional em saúde - isto é - dos psicanalistas/terapeutas - determina sua missão. "Mens sana in corpore sano".

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