268- DEPRESSÃO, melancolia – Instituto Brasileiro de Terapias Holísticas
AGRESSIVIDADE HUMANA

268- DEPRESSÃO, melancolia

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A depressão, melancolia- muitas vezes referida como “a dor de existir”, é uma manifestação multifacetada da condição humana. Para combatê-la e encontrar propósito e significado, é crucial abordar as raízes emocionais, psicológicas e sociais que contribuem para esse estado de desespero.

DEPRESSÃO
DEPRESSÃO

Depressão: A Dor de Existir e Suas Múltiplas Facetas

A Tristeza Inconsciente:

Parodiando Lacan e aprofundando o diálogo com o “sujeito do inconsciente, do desejo”, surge a questão: “o que quer a ‘Tristeza’ de mim, para que eu possa me reconhecer e me amar?”.

O ser humano, em sua complexa trajetória de existência, enfrenta o sofrimento, a insatisfação e o sentimento de isolamento. Esta é uma dor inerente à condição humana, muitas vezes intensificada por desilusões e limitações da vida.

Inspirado na frase de Kafka: “Tudo o que você ama provavelmente será perdido, mas no final o amor voltará de outra forma”, é imperativo compreender a essência do sentimento inconsciente de culpa e tristeza diante das adversidades da vida.

O Desejo e a Vida Melancólica:

Stella Jimenez nos faz refletir que o desejo é “a primeira e única riqueza do ser humano”. Abandoná-lo é perder a capacidade de se deleitar com afetos e experiências. Tal resignação pode resultar em uma vida sem rumo, uma existência “gauche”, para usar a expressão de Drummond.

Para superar a depressão e a sensação de vazio, é vital reinventar-se, buscar novas formas de aprendizado e mergulhar fundo em busca do verdadeiro sentido da vida, desafiando correntezas e superando adversidades.

Psiquiatria e Psicanálise: Perspectivas Divergentes:

Ao discutir tristeza, sofrimento e depressão, é essencial distinguir as abordagens da psiquiatria e da psicanálise” data-wpil-keyword-link=”linked”>psicanálise. A psiquiatria foca na depressão como uma desordem que necessita de intervenção médica.

Em contrapartida, a psicanálise procura entender a melancolia em sua profundidade, explorando as nuances do complexo de Édipo e a dimensão inconsciente do sofrimento. Questiona-se: a profundidade da tristeza é uma retórica literária ou uma reflexão válida sobre a condição humana?

A Geopolítica do Desencanto:

O mundo contemporâneo apresenta uma geopolítica desafiadora. Qualquer semelhança com um caleidoscópio, que antes encantava, agora apenas reflete fragmentos de desencanto.

O avanço do egocentrismo e do imperialismo, as guerras ideológicas e até mesmo os rumores de vírus criados em laboratórios como armas de destruição em massa comprometem a qualidade de vida e a liberdade. Tais fatores influenciam negativamente o equilíbrio do ecossistema planetário e as perspectivas para futuras gerações.

A Dignidade em Meio ao Caos:

Por último, mas não menos importante, é a agonia das barreiras fronteiriças e o deslocamento massivo de migrantes. Estes indivíduos, vindo de áreas devastadas pela pobreza e fome, buscam apenas um mínimo de dignidade.

Eles aspiram ao direito básico de existir e ser reconhecidos. Este fenômeno, em si, é uma manifestação ampliada da “dor de existir” e do desejo humano de superar adversidades e encontrar significado, mesmo nas circunstâncias mais desesperadoras.

A depressão, muitas vezes referida como “a dor de existir”, é uma manifestação multifacetada da condição humana. Para combatê-la e encontrar propósito e significado, é crucial abordar as raízes emocionais, psicológicas e sociais que contribuem para esse estado de desespero.

A compreensão, o diálogo e a ação podem ser ferramentas poderosas nesse processo.

A Dor da Existência

O Existencialismo e o Sofrimento Inerente

A depressão, por vezes referida como “a dor de existir”, é um reflexo do conflito entre o desejo humano e a realidade brutal da existência. Cada indivíduo se confronta com sentimentos de solidão, insatisfação, incompreensão e frustração ao enfrentar as limitações da vida.

Na perspectiva freudiana e lacaniana, reconhecer e aceitar a nossa singularidade pode ser um caminho para entender e até aliviar essa dor existencial. Tal como Kafka sugeriu: “Tudo o que você ama provavelmente será perdido, mas no final o amor voltará de outra forma”.

A Luta pela Verdadeira Riqueza: O Desejo

O desejo, de acordo com Stella Jimenez, é a “primeira e única riqueza do ser humano”. Desistir do desejo é desistir do afeto e da essência do que nos torna humanos.

Esta rejeição pode nos levar a uma existência insatisfatória, onde nos sentimos “gauche na vida”, usando a expressão de Drummond.

Para escapar dessa armadilha, é vital que se aprenda a reconectar os pontos, explorando o desconhecido e desafiando as correntes convencionais da vida.

O Cenário Global e o Peso da Modernidade

Lamentavelmente, a atual geopolítica parece distorcer e obscurecer a maravilha da humanidade. Guerra, ideologia e armas biológicas geram uma crise global de identidade e propósito.

Adicionalmente, as barreiras erguidas contra migrantes buscando uma vida melhor são sintomáticas de um mundo que perdeu seu caminho. Estes indivíduos apenas buscam reconhecimento básico e o direito à existência, mas são frequentemente negados e marginalizados.

A Exploração e a Degeneração da Dignidade

Um número limitado de indivíduos e entidades poderosas exploram, colonizam e marginalizam a vasta maioria da população. A submissão à exploração e a deterioração da dignidade humana resultam em um desespero palpável e um crescente mal-estar civilizacional.

A busca incessante por sucesso e reconhecimento, e a consequente culpa por não atingir tais padrões, só acentuam a sensação global de desconforto.

Reconhecendo a Realidade Sócio-política

Finalmente, olhando pelo prisma da estrutura sócio-política, muitos se sentem desamparados e manipulados por entidades governamentais. O cenário atual é saturado de promessas vazias, retóricas enganosas e políticos oportunistas.

O poder da cidadania foi corrompido por uma cultura de desinformação e exploração. Há uma necessidade urgente de restaurar a integridade e a honestidade no espaço público.

A depressão, neste contexto moderno, é uma manifestação da dor de existir e da luta para encontrar propósito em um mundo complexo e muitas vezes hostil.

Para encontrar alívio e redenção, devemos reconhecer esses desafios, confrontá-los e buscar maneiras autênticas de se conectar e encontrar significado.

Alegria e Sofrimento

A Perspectiva Religiosa sobre o Sofrimento

A religiosidade frequentemente situa o sofrimento como um ponto crucial na experiência humana. A narrativa religiosa, que começa com o afastamento do homem/mulher de seu criador, é permeada pelo “triste-desejo”, um reflexo da imperfeição humana.

Durante a Idade Média, o espírito de tristeza era visto como um meio para a introspecção e o entendimento espiritual. Em diversas tradições, a culpa e a reconciliação são vistas como caminhos para a felicidade. Interessantemente, essa jornada geralmente começa com a perda de algo que uma vez trouxe felicidade ao ser humano.

O Dualismo da Alegria e Tristeza na Existência Humana

A psicanálise argumenta que alegria e tristeza são emoções intrínsecas à condição humana. Enquanto a alegria deveria prevalecer em nossas vidas, muitas vezes a sensação dominante é de tristeza e angústia. Esta luta interna requer que os indivíduos busquem apoio em algo ou alguém para superar essa incerteza existencial.

A Abordagem Freudiana/Lacaniana da Singularidade e Sofrimento

Freud, em sua obra “O Mal-Estar na Civilização”, retrata a busca pela felicidade como um fenômeno efêmero, limitado pela natureza transitória da vida.

A perspectiva freudiana sugere que a felicidade, em sua essência, é quase inalcançável. Lacan, por sua vez, aprofunda esta visão, oferecendo uma compreensão enriquecedora da singularidade humana em face do sofrimento.

O Desafio da Transitoriedade

Para Freud, a vida, em sua essência, é marcada por transitoriedade e efemeridade. Esta natureza efêmera da existência é paradoxal: enquanto limita a duração do prazer, também intensifica seu valor.

A beleza de uma flor, apesar de sua curta duração, é mais valorizada por sua transitoriedade. Da mesma forma, o luto por um ente querido não diminui a preciosidade da vida.

A Eterna Esperança do Inconsciente

Freud sugere que, no inconsciente, a vida é percebida como imortal. Esta ideia contrasta com a realidade efêmera da existência. Enquanto o mundo consciente é permeado por limitações e tristezas, o inconsciente abriga esperanças e desejos de continuidade e imortalidade.

O sofrimento e a busca pela felicidade são temas recorrentes tanto na religião quanto na psicanálise.

Ambos os campos oferecem perspectivas valiosas sobre a natureza transitória da existência e os desafios inerentes à condição humana. Reconhecer e aceitar essa dualidade é crucial para uma compreensão mais profunda da vida e do significado humano.

Melancolia e Depressão

Entendimento sobre a Melancolia

A melancolia, definida como um estado de depressão profunda, manifesta-se na ausência de entusiasmo e na relutância em participar de atividades cotidianas.

Em “Luto e Melancolia”, Freud não estabelece uma distinção evidente entre melancolia e depressão. Na melancolia, segundo Freud, o “eu” se vê privado de valor, sentindo-se incapaz e desprezível, ao passo que no luto, é o mundo externo que parece vazio.

Depressão: Do Passado ao Presente

Historicamente, os termos “depressão” e “melancolia” eram usados de maneira intercambiável. A terminologia “depressão” é predominante nos tempos modernos, enquanto Freud, no passado, optava pelo termo “melancolia”.

Algumas visões apontam que o conceito moderno de depressão não se enquadra perfeitamente no quadro freudiano. A depressão, de acordo com Freud, é caracterizada por limitações nas funções do “eu” e por uma percepção clara da origem do mal-estar.

O Querer da Tristeza Depressiva

A tristeza, quando compreendida em um contexto depressivo, busca uma superação através da manutenção do desejo.

Freud sugere que sentimentos de culpa emergem quando os desejos não são realizados, gerando uma angústia profunda. Para superar a depressão, é crucial expressar afetos, encontrando um equilíbrio entre os desejos e a realidade enfrentada.

Melancolia versus Depressão: Dois Lados da Moeda

Enquanto a melancolia é ligada à subjetividade e ao narcisismo, com uma não aceitação da perda, a depressão é entendida por Freud como um sintoma presente em qualquer estrutura psíquica. Do ponto de vista psiquiátrico, a depressão é categorizada como uma psicopatologia.

Mesmo que melancolia e depressão sejam conceitos distintos, a realidade atual nos mostra que ambos os estados podem coexistir e impactar profundamente a vida dos indivíduos.

Lacan: A Angústia, o Desejo e a Existência

Lacan postula que o desejo é o melhor antídoto contra a angústia. A presença contínua do mal-estar na vida humana é temperada pelas relações e pela possibilidade de encontrar alegria, sabedoria e satisfação, mesmo em meio à dor da existência.

Lacan também sugere que é possível superar o sofrimento aprendendo a aceitar a perda, com a certeza de que o que foi perdido pode retornar em uma forma diferente.

Conclusão:

Melancolia e depressão, embora sejam distintas em suas nuances, são estados de ânimo que desafiam profundamente a existência humana.

Através das perspectivas de Freud e Lacan, podemos compreender essas condições não apenas como aflições mentais, mas como convites à introspecção, ao entendimento do “eu” e à busca de um equilíbrio entre o desejo e a realidade.

É crucial que profissionais da saúde reconheçam e abordem adequadamente ambas as condições, garantindo o bem-estar dos pacientes.

João Barros

Floripa, 18.08.23

REFERÊNCIAS BÁSICAS

  1. “Luto e Melancolia” – Sigmund Freud
    • Resenha: Neste trabalho seminal, Freud explora a distinção entre o luto, uma resposta natural à perda, e a melancolia, uma condição patológica. Ele argumenta que, enquanto o luto é uma reação à ausência do objeto amado, a melancolia tem uma qualidade mais enigmática, pois o sofredor não consegue identificar o que perdeu. O livro serve como uma fundação para a compreensão da depressão na psicanálise.
  2. “Escritos” – Jacques Lacan
    • Resenha: Uma coletânea das principais obras de Lacan, “Escritos” oferece uma visão detalhada das teorias do psicanalista sobre o desejo, a angústia e o simbólico. Ele desenvolve e expande as ideias freudianas, trazendo sua perspectiva única e desafiadora para a psicanálise. A obra é essencial para quem deseja entender a abordagem lacaniana do sofrimento humano e da estrutura psíquica.
  3. “O Mal-estar na Civilização” – Sigmund Freud
    • Resenha: Freud examina a tensão entre as necessidades individuais e as demandas da sociedade. Ele argumenta que a cultura exige sacrifícios da libido individual, o que resulta em uma sensação permanente de desconforto entre os seres humanos. Este livro é fundamental para compreender a visão de Freud sobre a busca humana pela felicidade e a inevitabilidade da dor e do sofrimento.
  4. “Para Introduzir o Narcisismo” – Sigmund Freud
    • Resenha: Nesta obra, Freud introduz o conceito de narcisismo e explora as implicações do amor-próprio no desenvolvimento psíquico. Ele examina como o eu se relaciona com os objetos internos e externos, e como isso pode levar a condições como melancolia. É uma leitura fundamental para quem deseja entender a relação entre autoestima, depressão e desenvolvimento do ego.
  5. “O Seminário, livro 10: A angústia” – Jacques Lacan
    • Resenha: Este volume concentra-se na exploração lacaniana da angústia, vista como um sentimento central na experiência humana. Lacan argumenta que a angústia é um sinal do desejo do sujeito e de sua relação com o Outro. Através da discussão sobre a natureza do desejo, a castração simbólica e o objeto a, Lacan fornece insights valiosos sobre como a angústia se manifesta e pode ser entendida na clínica psicanalítica.

O que é depressão?

A depressão, muitas vezes referida como “a dor de existir”, é uma manifestação multifacetada da condição humana. Para combatê-la e encontrar propósito e significado, é crucial abordar as raízes emocionais, psicológicas e sociais que contribuem para esse estado de desespero.

O que é melancolia?

A melancolia, definida como um estado de depressão profunda, manifesta-se na ausência de entusiasmo e na relutância em participar de atividades cotidianas. Em “Luto e Melancolia”, Freud não estabelece uma distinção evidente entre melancolia e depressão. Na melancolia, segundo Freud, o “eu” se vê privado de valor, sentindo-se incapaz e desprezível, ao passo que no luto, é o mundo externo que parece vazio.

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João Barros - empresário/escritor - professor com formação em filosofia/pedagogia, teologia/psicanálise (...) atualmente, diretor pedagógico na empresa SELO BE IBRATH - com foco na supervisão e qualificação dos produtos pedagógicos e cursos livres em saúde, qualidade de vida e bem-estar. Quanto às crenças e valores, vale a máxima: o caráter do profissional em saúde - isto é - dos psicanalistas/terapeutas - determina sua missão. "Mens sana in corpore sano".

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