274-COMPLEXIDADE DO SER – Instituto Brasileiro de Terapias Holísticas
AGRESSIVIDADE HUMANA

274-COMPLEXIDADE DO SER

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À medida que as pessoas enfrentam medos inéditos e desafios existenciais, necessita-se de profissionais capazes de navegar pelas águas turbulentas da psique humana. Assim, a ênfase na máxima “a análise produz o psicanalista” sugere que a formação de um psicanalista exige mais do que mero conhecimento teórico; exige uma profunda introspecção e entendimento de si mesmo.

COMPLEXIDADE DO SER
COMPLEXIDADE DO SER


A Profundidade do Fluxo Humano
– (complexidade do ser)

A Psicanálise e o Inconsciente

A psicanálise, concebida por Sigmund Freud, emerge como uma ferramenta crucial para decifrar o labirinto do inconsciente humano. O ato de escavar o sujeito inconsciente através da associação livre e da transferência permite que o analista e o analisando construam, em conjunto, um entendimento mais aprofundado dos desejos, medos e impulsos ocultos. Ao enfrentar as camadas escondidas do próprio eu, o ser humano começa a entender suas pulsões, fragilidades e potencialidades, permitindo uma introspecção revelado

A dualidade do desejo e da culpa

Ao longo da vida, o ser humano se depara constantemente com o conflito entre desejo e responsabilidade. Enquanto suas necessidades e desejos biológicos e socioculturais puxam-no em uma direção, as demandas e expectativas da sociedade puxam-no em outra. Não atender a esses desejos pode levar a sentimentos intensos de culpa, tanto consciente quanto inconsciente. No entanto, ignorar as obrigações socioculturais em favor dos desejos pessoais também pode ter um preço psicológico.

A Necessidade de Valores Éticos em Uma Sociedade Moral

A moralidade e seus princípios moldam a cultura, ditando o que é aceitável e o que não é. No entanto, para que uma sociedade floresça verdadeiramente em harmonia, é necessário transcender a mera moralidade. A ética, que é profundamente motivadora e orientadora, oferece uma estrutura mais profunda para avaliar o bem e o mal. Ao contrário da moral, que é frequentemente baseada em normas sociais, a ética busca fundamentar tais normas, conferindo significado e propósito.

O Desafio da Formação em Psicanálise em Tempos Contemporâneos

No ambiente tumultuado de hoje, marcado por pandemias, incertezas e estresses, a formação de psicanalistas competentes é mais crucial do que nunca. À medida que as pessoas enfrentam medos inéditos e desafios existenciais, necessita-se de profissionais capazes de navegar pelas águas turbulentas da psique humana. Assim, a ênfase na máxima “a análise produz o psicanalista” sugere que a formação de um psicanalista exige mais do que mero conhecimento teórico; exige uma profunda introspecção e entendimento de si mesmo.

Em Direção a um Futuro de Maior Compreensão e Empatia

Confrontados com os desafios do presente, os psicanalistas têm um papel vital a desempenhar na facilitação do entendimento e do crescimento pessoal. Ao reconhecer e abordar as complexidades da natureza humana, da sociedade e dos valores éticos, podemos esperar construir um mundo onde as pessoas não apenas existam, mas verdadeiramente “fluam”, alcançando seu potencial completo e vivendo vidas mais autênticas e significativas.

A psicanálise” data-wpil-keyword-link=”linked”>psicanálise, em sua busca incessante pela verdade oculta dentro de nós, oferece uma janela para as profundezas da alma humana. Em um mundo em constante mudança, onde as linhas entre o certo e o errado são frequentemente borradas, a compreensão proporcionada pela psicanálise é inestimável. É um chamado para que todos nós busquemos nosso próprio entendimento e alcancemos um estado de fluxo, onde nosso verdadeiro potencial pode ser realizado.

Do Aprendizado ao Fluxo Analítico (complexidade do ser)

A Importância do Autoconhecimento em Psicanálise

A psicanálise, como qualquer outra profissão, exige um nível de autoconhecimento do profissional. Antes de um psicanalista decifrar os intricados labirintos mentais de seus pacientes, ele deve estar confortavelmente familiarizado com os seus próprios. Muitas vezes, as próprias experiências do analista, suas ansiedades, medos e desejos, podem refletir-se na terapia, influenciando sua capacidade de interpretar e entender seu paciente.

Além disso, o autoconhecimento profundo permite ao psicanalista uma objetividade necessária durante as sessões. Sem essa clareza, é fácil para um terapeuta projetar seus próprios sentimentos e ideias no paciente, o que pode alterar ou mesmo desviar a direção da terapia. A autoanálise, portanto, não é apenas uma forma de autodescoberta, mas uma ferramenta para garantir que a terapia permaneça pura e focada no paciente.

Um analista que se submeteu a uma análise profunda pode empatizar melhor com seus pacientes. Entender a vulnerabilidade, a coragem e a introspecção necessárias para enfrentar seus próprios demônios pode tornar um terapeuta mais compassivo, paciente e eficaz em sua abordagem.

O Protagonismo do Análise

O psicanalista é muitas vezes visto como o protagonista da sessão de terapia, mas na realidade, é o paciente – o analisando – que está no centro da jornada analítica. O processo de psicanálise é fundamentalmente um processo de autodescoberta para o analisando. O analista é apenas um guia ou facilitador nesse processo, ajudando o paciente a navegar por suas próprias emoções, desejos e memórias.

Ao reconhecer o paciente como protagonista, o analista também reconhece que cada pessoa é única e, portanto, cada jornada terapêutica será única. Ao contrário de outras formas de terapia que podem adotar uma abordagem “tamanho único”, a psicanálise é personalizada para cada indivíduo. Essa personalização é fundamental para o sucesso da terapia, pois reconhece e respeita a individualidade do paciente.

Ao dar ao paciente o protagonismo, a terapia pode tornar-se mais eficaz. Quando os pacientes sentem que estão no controle, que sua voz e experiência são valorizadas, eles são mais propensos a se abrir, a participar ativamente da terapia e, por fim, a se beneficiar dela.

A Guia do Analista

A relação entre analista e analisando é um pilar central da psicanálise. Embora o paciente seja o protagonista de sua própria jornada, o analista serve como bússola, orientando e ajudando o analisando a interpretar e entender o que descobre sobre si mesmo. É um equilíbrio delicado: o analista deve guiar sem ser dominante, oferecer insights sem superpor suas próprias opiniões.

O papel do analista é, em muitos aspectos, servir como um espelho para o paciente. Eles refletem de volta o que veem, permitindo que o paciente veja a si mesmo de uma perspectiva diferente. Este “espelho” não é apenas um reflexo passivo, mas um que pode selecionar, ampliar e focar em aspectos específicos, permitindo uma introspecção mais profunda.

Além disso, o analista também serve como um farol de segurança e confiança. A jornada da introspecção psicanalítica pode ser tumultuada, trazendo à tona emoções e memórias dolorosas. Saber que há alguém confiável ao seu lado, alguém que não julga e que está lá para apoiar, pode fazer toda a diferença para um paciente em sua jornada de autodescoberta.

A Essência da Análise Psicanalítica

No coração da psicanálise, reside a arte da análise. Para um profissional, é essencial compreender que analisar não é apenas ouvir e interpretar, mas também facilitar a autoanálise do paciente. Cada sessão deve ser vista como uma oportunidade para desvendar as camadas da mente do paciente, permitindo que ele entenda e integre aspectos anteriormente ocultos de si mesmo.

Adicionalmente, a análise em psicanálise não é uma rua de mão única. Enquanto o analista desempenha o papel de intérprete, é igualmente crucial que o paciente esteja ativamente envolvido na análise. O ato de falar, de verbalizar pensamentos e sentimentos, pode ser tão terapêutico quanto ouvir as interpretações do terapeuta. Este “bem-dizer” é fundamental para a cura e o entendimento.

A análise é tanto um processo quanto um destino. Embora o objetivo possa ser a resolução de um problema específico ou a obtenção de insights, o simples ato de participar da análise – de explorar, questionar e refletir – tem valor terapêutico em si. O caminho analítico, com suas reviravoltas e descobertas, é tão vital quanto qualquer conclusão ou realização.

A Maturidade Profissional (complexidade do ser)

A maturidade em psicanálise não se refere apenas à idade ou experiência, mas à capacidade do analista de se apresentar com integridade, empatia e profissionalismo. A relação terapêutica é delicada e exige uma profunda responsabilidade. O analista deve ser constantemente consciente de suas próprias reações, preconceitos e potenciais transferências.

Além da autoconsciência, a maturidade profissional também se manifesta na maneira como o analista lida com dilemas éticos e desafios práticos. Isso inclui reconhecer seus próprios limites, procurar supervisão quando necessário e estar disposto a referenciar um paciente se acreditar que outra forma de ajuda seria mais benéfica.

A maturidade também envolve o compromisso com o aprendizado contínuo. A psicanálise, como campo, está sempre evoluindo. Novas teorias, técnicas e descobertas surgem regularmente. Um psicanalista maduro reconhece que o aprendizado nunca realmente termina e se dedica à educação contínua e à autorreflexão.

O Código de Ética em Psicanálise

Cada profissão tem seus padrões éticos, e a psicanálise não é exceção. O código de ética serve como um guia, orientando os psicanalistas sobre como agir de maneira profissional e ética. No entanto, mais do que simples regras, é uma representação da dedicação do campo à integridade, confidencialidade e bem-estar do paciente.

A ética na psicanálise não é apenas sobre evitar ações prejudiciais, mas também sobre promover o bem. Isso significa agir sempre no melhor interesse do paciente, ser transparente sobre o processo terapêutico e garantir que o paciente esteja sempre informado e consinta com qualquer decisão terapêutica.

Além disso, o código de ética também aborda a relação entre analista e analisando. As fronteiras aqui são cruciais. Relações duais ou conflitos de interesse devem ser evitados a todo custo para proteger a integridade da terapia e garantir que o paciente se sinta seguro e protegido. A ética, em última análise, está no cerne do que significa ser um psicanalista.

Lacan e o Desejo

Jacques Lacan, um dos psicanalistas mais influentes do século XX, trouxe inovações e controvérsias para a psicanálise tradicional. Uma de suas principais contribuições foi a redefinição do conceito de desejo. Para Lacan, o desejo não se origina de necessidades biológicas ou impulsos, mas da linguagem e da relação do sujeito com o Outro.

A noção lacaniana de desejo está intrinsecamente ligada ao simbólico, o reino da linguagem e da cultura. O desejo, para Lacan, é sempre desejo do Outro, significando que é moldado e mediado pelas expectativas e demandas da sociedade e das figuras significativas na vida de uma pessoa.

Lacan também enfatizou a impossibilidade de um desejo ser completamente satisfeito. O objeto de desejo é perpetuamente inatingível, levando ao que ele chamou de “falta-a-ser” no coração do sujeito. Esta percepção traz implicações profundas para a terapia psicanalítica, enfatizando a jornada contínua de reconhecimento e articulação do desejo ao invés de sua satisfação definitiva.

A Ética da Psicanálise

A ética, no contexto psicanalítico, vai além de um código de conduta; é uma orientação para a prática terapêutica. Lacan argumentou que o cerne da ética psicanalítica é o compromisso com o desejo do analisante. Isso significa priorizar o trabalho de ajudar o paciente a articular e reconhecer seu desejo genuíno, mesmo quando é desconfortável ou desafia as normas sociais.

Em vez de impor normas ou valores externos, a ética da psicanálise é centrada no sujeito. A questão não é se um desejo ou impulso é “bom” ou “ruim” em termos morais, mas se ele é verdadeiro para o paciente e qual o significado e função ele serve em sua psicologia.

Este enfoque ético requer um analista que esteja disposto a resistir ao impulso de julgar ou direcionar o paciente, e, em vez disso, facilitar um espaço onde o desejo genuíno possa ser explorado com honestidade e abertura.

O “Desejo do Analista”

A ideia de Lacan do “desejo do analista” é fundamental para entender sua abordagem terapêutica. Não se refere ao desejo pessoal ou íntimo do analista, mas ao desejo do analista de ser a ferramenta que facilitará o surgimento do desejo verdadeiro do analisante.

Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, o “desejo do analista” não é passivo. Ele exige uma presença ativa e uma disposição para enfrentar o desconhecido. É uma posição de abertura à emergência do inconsciente, permitindo que as formações inconscientes do paciente se manifestem.

Este desejo coloca o analista na posição de objeto “a” na teoria lacaniana, o objeto que causa o desejo. Em outras palavras, o analista se torna o catalisador que permite ao paciente confrontar e articular seu desejo autêntico.

A Emergência do Sujeito do Inconsciente

O final de uma análise é frequentemente marcado por uma transformação no analisante, um ponto em que eles emergem como sujeitos de seu próprio inconsciente. Este é um conceito central na psicanálise lacaniana. Representa o momento em que o analisante reconhece e assume responsabilidade por seus desejos e conflitos, não mais como forças externas que os dominam, mas como partes integrantes de seu ser.

Esta emergência é frequentemente precedida por uma intensa exploração de recalcamentos e defesas. É um processo de desfazer as amarras que mantiveram o desejo oculto e inarticulado. Neste estágio, o analisante começa a entender e a integrar aspectos de si mesmo anteriormente relegados ao inconsciente.

O momento de emergência não é apenas um fim, mas um novo começo. É a promessa da psicanálise: um novo começo onde o sujeito está mais alinhado com seu desejo genuíno, mais consciente de suas escolhas e, em última análise, mais livre.

CONCLUSÃO (complexidade do ser)

Por fim, a maturidade também envolve o compromisso com o aprendizado contínuo. A psicanálise, como campo, está sempre evoluindo. Novas teorias, técnicas e descobertas surgem regularmente. Um psicanalista maduro reconhece que o aprendizado nunca realmente termina e se dedica à educação contínua e à autorreflexão.

João Barros

Floripa, 19.08.23

REFERÊNCIAS BÁSICAS

  1. “O Seminário, livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise” – Jacques Lacan
    • Resenha: Em “Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise“, Lacan explora os pilares da teoria psicanalítica: o inconsciente, a repetição, o recalque e a transferência. O livro é um marco da obra lacaniana e oferece uma interpretação única e revolucionária desses conceitos, desafiando muitas das noções freudianas tradicionais.
  2. “A Ética da Psicanálise” – Jurandir Freire Costa
    • Resenha: Neste livro, Jurandir Freire Costa examina as implicações éticas da prática psicanalítica, questionando os valores tradicionais e os padrões culturais. Costa apresenta uma perspectiva brasileira sobre a ética na psicanálise, relacionando-a com questões de gênero, sexualidade e diversidade cultural.
  3. “Freud e o Inconsciente” – Durval Marcondes
    • Resenha: Durval Marcondes, um dos pioneiros da psicanálise no Brasil, oferece neste livro uma análise detalhada dos conceitos freudianos e sua relevância para a compreensão da mente humana. O autor combina uma exploração teórica com exemplos clínicos, proporcionando uma visão acessível e abrangente do pensamento de Freud.
  4. “Lacan e a formação do psicanalista” – Sérgio Telles
    • Resenha: Abordando a questão da formação do psicanalista, Sérgio Telles se aprofunda nas contribuições de Lacan para a educação e prática da psicanálise. O livro é uma reflexão crítica sobre como os psicanalistas são treinados e a influência das teorias de Lacan neste processo.
  5. “Psicanálise e estruturalismo” – Nise da Silveira
    • Resenha: Nise da Silveira, renomada psiquiatra e psicanalista brasileira, discute neste livro as intersecções entre psicanálise e estruturalismo. A autora explora as tensões e complementaridades entre as duas correntes teóricas, propondo uma síntese que enriquece ambos os campos. O livro é uma leitura obrigatória para quem busca compreender os diálogos interdisciplinares na psicanálise contemporânea.

João Barros - empresário/escritor - professor com formação em filosofia/pedagogia, teologia/psicanálise (...) atualmente, diretor pedagógico na empresa SELO BE IBRATH - com foco na supervisão e qualificação dos produtos pedagógicos e cursos livres em saúde, qualidade de vida e bem-estar. Quanto às crenças e valores, vale a máxima: o caráter do profissional em saúde - isto é - dos psicanalistas/terapeutas - determina sua missão. "Mens sana in corpore sano".

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