Psicanálise e pós-modernidade 2023 – Instituto Brasileiro de Terapias Holísticas
PSICANÁLISE PÓS-MODERNIDADE

Psicanálise e pós-modernidade 2023

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A psicanálise e a pós-modernidade – O campo da psicanálise, embora historicamente voltado para o entendimento dos processos mentais inconscientes, tem crescentemente se mostrado como uma ferramenta poderosa para entender e endereçar problemas sociais e culturais contemporâneos.

PSICANÁLISE PÓS-MODERNIDADE
PSICANÁLISE PÓS-MODERNIDADE

Introdução (psicanálise e pós-modernidade)

Este artigo explora cinco temas-chave onde a psicanálise pode contribuir de forma significativa: ressignificação e agregação de valores à aprendizagem e à prestação de serviços, modernização do exercício da psicanálise, violência e assédio, e outros.

Utilizaremos citações e ideias de estudiosos como Diana Fuss para examinar como a psicanálise pode oferecer novas perspectivas e soluções práticas para estes problemas.


Ressignificar e agregar valores

A psicanálise” data-wpil-keyword-link=”linked”>psicanálise pode oferecer uma contribuição significativa no campo educacional, fornecendo insights sobre como os alunos aprendem e como os professores podem se tornar mais eficazes.

De acordo com o psicanalista Bruno Bettelheim (1987), a compreensão da psicologia das crianças pode ajudar os educadores a criar ambientes de aprendizado mais eficazes.

Bettelheim sugere que a autoridade do professor deve ser justificada em termos de sua capacidade para ajudar o aluno a crescer emocional e intelectualmente.

A psicanálise também oferece uma abordagem para a melhoria contínua na prestação de serviços em diversos setores.

A análise de aspectos inconscientes nas relações interpessoais entre clientes e prestadores de serviços pode revelar dinâmicas emocionais que impactam a eficácia do serviço.

Por exemplo, Winnicott (1964) argumentou que a compreensão das necessidades emocionais do cliente pode melhorar o atendimento ao cliente, tornando-o mais humano e individualizado.


Modernização do exercício da psicanálise

A psicanálise, como qualquer outro campo do conhecimento, necessita de atualização contínua para se manter relevante. Muitos críticos da psicanálise, como Frederick Crews (1998), apontaram para o dogmatismo e a falta de rigor científico em algumas de suas abordagens.

No entanto, estudiosos como Fonagy e Target (2003) têm trabalhado para incorporar métodos de pesquisa empírica na prática psicanalítica, tornando-a mais robusta e fundamentada em evidências.

A adoção de tecnologias modernas também representa uma etapa crucial para a modernização da psicanálise.

A prática de telepsicanálise, por exemplo, permite que os pacientes acessem o atendimento de especialistas, independentemente da localização geográfica. Assim, torna-se possível ampliar o alcance da psicanálise, tornando-a mais acessível.


Violência e assédio

A violência baseada em gênero é uma realidade alarmante que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Diana Fuss (1995) e outros pesquisadores examinaram como as estruturas de poder embutidas na psique podem perpetuar essa violência.

Entender essas estruturas pode ser fundamental para criar intervenções eficazes. Fuss destaca como a internalização de normas de gênero pode levar a dinâmicas violentas, que se refletem em estruturas sociais mais amplas.

O assédio, seja ele sexual, moral ou psicológico, também pode ser melhor compreendido através da lente da psicanálise.

Conceitos como “projeção” e “transferência” oferecem uma explicação para como as relações de poder podem ser estabelecidas e mantidas em cenários de trabalho, escolas e outros espaços públicos. A compreensão desses mecanismos pode ajudar em intervenções mais eficazes.

A violência baseada em gênero e o assédio são problemas endêmicos que vão além das definições superficiais de opressão e subjugação.

Estão entrelaçados em nossas estruturas sociais, mantidos e perpetuados por um complexo conjunto de mecanismos psicológicos, muitos dos quais são examinados pela psicanálise e outras disciplinas das ciências sociais.

A compreensão desses mecanismos é mais do que acadêmica; ela oferece a chave para desmantelar eficazmente as cadeias da violência e do assédio que afetam milhões.

A psicanalista Diana Fuss e outros pesquisadores forneceram um valioso insight sobre como normas e estruturas de poder são internalizadas, levando a dinâmicas de violência tanto em nível individual quanto societal.

Esse processo de internalização não é apenas uma aceitação passiva de regras sociais; ele reestrutura ativamente nossa psique e condiciona nossos comportamentos e reações. Este é o terreno fértil para atitudes que perpetuam a violência e o assédio.

Normas de gênero, por exemplo, não são simplesmente expectativas sobre como homens e mulheres devem se comportar; elas atuam como sistemas de regras não escritas que moldam nossa percepção do “aceitável” e do “inaceitável”, legitimando o poder em mãos erradas.

Em cenários onde o poder já é assimétrico, como no local de trabalho ou em instituições educacionais, essas normas podem tornar-se especialmente tóxicas.

O conceito psicanalítico de “projeção” oferece uma explicação para como os indivíduos transferem suas próprias inseguranças, preconceitos ou impulsos negativos para outros, frequentemente em uma tentativa inconsciente de se livrar de características indesejáveis de si mesmos.

Este mecanismo pode ser especialmente perverso em casos de assédio moral e psicológico, onde o agressor projeta suas próprias falhas ou inseguranças sobre a vítima.

“Transferência” é outro conceito psicanalítico relevante, que ajuda a entender como relações de poder são formadas e mantidas.

Originário das observações feitas em ambientes terapêuticos, esse fenômeno descreve como sentimentos e dinâmicas de relações anteriores são “transferidos” para novas relações. Em contextos onde o assédio ocorre, a transferência pode solidificar relações de poder tóxicas.

Mas entender esses conceitos é apenas o primeiro passo. A próxima etapa é criar intervenções que possam desmantelar efetivamente essas estruturas arraigadas.

Isso vai além da punição de agressores individuais; exige uma revisão completa de nossas instituições e normas sociais para criar ambientes onde a igualdade não é apenas pregada, mas praticada.

Por exemplo, em ambientes de trabalho, políticas de assédio zero devem ser apoiadas por treinamento em conscientização de gênero e workshops que examinem as raízes psicológicas do poder e do preconceito.

Em escolas, programas de educação inclusiva podem ser projetados para desconstruir normas de gênero desde a infância.

É vital que as intervenções também envolvam homens e meninos, que muitas vezes são socializados em modelos tóxicos de masculinidade que perpetuam o ciclo da violência.

O engajamento masculino em desconstruir esses modelos é fundamental para mudanças duradouras.

A sociedade civil também tem um papel importante. Organizações não governamentais, grupos de apoio e movimentos sociais podem ser influentes em mudar a narrativa em torno da violência e do assédio, colocando pressão sobre os responsáveis pela tomada de decisões para implementar mudanças significativas.

A mídia, com seu poder de moldar a opinião pública, deve ser conscientizada para evitar a perpetuação de estereótipos de gênero e relações de poder tóxicas. Jornalismo responsável e retratos autênticos em entretenimento podem ser ferramentas poderosas para mudança social.

Finalmente, cada indivíduo tem um papel a desempenhar. A mudança começa em nível micro, em nossas interações cotidianas. Se nos tornarmos mais conscientes de como nossos próprios comportamentos podem inadvertidamente perpetuar normas tóxicas, estaremos um passo mais perto de uma sociedade mais igualitária.

Concluir que a violência e o assédio são problemas complexos e multifacetados não é uma desculpa para inação. Em vez disso, essa compreensão deve nos galvanizar para buscar soluções igualmente complexas e abrangentes.

A luta contra a violência e o assédio é uma responsabilidade coletiva que exige que cada um de nós seja tanto um estudante da psicologia humana quanto um agente de mudança social.


Conclusão

A psicanálise não é apenas uma ferramenta para entender a mente individual, mas também um meio valioso para analisar e tratar problemas sociais.

A partir do ressignificado da aprendizagem e da prestação de serviços, passando pela modernização da própria disciplina, até o combate à violência e assédio, a psicanálise oferece contribuições cruciais para os desafios contemporâneos que enfrentamos.

À medida que esta disciplina continua a se desenvolver e se adaptar, seu potencial para causar impacto positivo na sociedade se torna cada vez mais evidente.

João Barros

Floripa, 2023

REFERÊNCIAS

1- O mal-estar na civilização – Sigmund Freud

Resenha:

Este é um clássico da psicanálise que explora a tensão entre os impulsos individuais e as demandas sociais. Freud argumenta que a civilização é construída com base na repressão desses impulsos, o que pode levar ao mal-estar. O livro é fundamental para entender as raízes psicanalíticas da violência, repressão e outros aspectos da dinâmica social.

2- O sujeito na contemporaneidade: a psicanálise em novos contextos – Jurandir Freire Costa

Resenha:

Este livro explora as diferentes formas que a psicanálise pode assumir na modernidade, considerando os novos desafios e contextos aos quais o sujeito está exposto. Freire Costa apresenta um panorama que vai da psicanálise clínica até sua aplicação em questões sociais, como preconceito e exclusão.

3- A estrutura da clínica psicanalítica – Durval Marcondes

Resenha:

Durval Marcondes explora as bases teóricas e práticas da psicanálise, focando no desenvolvimento da relação entre analista e analisando. O autor debate como a psicanálise deve se adaptar para tratar das novas manifestações de sofrimento psíquico na contemporaneidade, oferecendo um ponto de vista diferenciado sobre a modernização da prática.

4- Gênero, patriarcado, violência – Heleieth Saffioti

Resenha:

Saffioti oferece uma análise crítica da estrutura patriarcal da sociedade e de como ela contribui para a perpetuação da violência de gênero. Embora não seja estritamente uma obra de psicanálise, oferece importantes insights sociológicos que podem ser complementares às análises psicanalíticas sobre a violência baseada em gênero.

5- Educação e psicanálise: vias de formação humana – Maria Rita Kehl e outros

Resenha:

Este livro reúne artigos que buscam fazer a ponte entre psicanálise e educação, tratando dos desafios e possibilidades que essa intersecção oferece. Aborda temas como o processo de aprendizagem, as relações de autoridade em sala de aula e a influência dos fatores inconscientes na educação.

João Barros - empresário/escritor - professor com formação em filosofia/pedagogia, teologia/psicanálise (...) atualmente, diretor pedagógico na empresa SELO BE IBRATH - com foco na supervisão e qualificação dos produtos pedagógicos e cursos livres em saúde, qualidade de vida e bem-estar. Quanto às crenças e valores, vale a máxima: o caráter do profissional em saúde - isto é - dos psicanalistas/terapeutas - determina sua missão. "Mens sana in corpore sano".

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